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março 2016

Epecuén, as ruínas de sal

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Eu sempre tive o fascínio por cidades abandonadas, em 2014 tive a oportunidade de conhecer as ruínas da cidade de Pompéia na Itália, e quando ficamos sabendo da história da Vila de Epecuén, mudamos na hora o nosso roteiro de viagem para poder conhecer as peculiares ruínas desse vilarejo engolido pelas águas de seu lago.

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Epecuen é o lago que deu nome a cidade, que hoje são apenas ruínas. A cidade chegou a ter pouco mais de 1500 moradores fixos, e nas décadas de 60 e 70 recebia cerca de 25 mil pessoas nos períodos de veraneio. Era um balneário luxuoso, e muito frequentado em função do seu lago 10 vezes mais salgado que o mar, e se acreditava nas ações medicinais que a água e o barro do lago. Poreme em 1985 as águas do lago começaram a subir, invadindo a orla, e desde então se nível continuou subindo, e teve seu pico em mais de 10 metros acima do nível normal em 1993. A cidade ficou completamente embaixo d’água, por 10 anos. e em 1995 as águas começaram a baixar, expondo aos poucos as ruínas da cidade em meio ao sal.

Hoje o leito do lago está somente 3 metros acima da sua altura original. Tratasse de um movimento natural, o lago Epecuén é o mais baixo de uma série de lagos da região e em função das chuvas seu nível subiu mais que os demais. Se acredita o lago voltará a subir um dia e voltará a inundará a cidade que hoje é um grande museu a céu aberto novamente.

Para conhecer Epecuen, melhor maneira é se hospedar na pequena cidade de Carhué. a cidade é bem pequena e não tem grandes atrativos,  mas tem um centro com postos de gasolina, restaurantes, lojinhas, hotéis e mercados, porém vale lembrar que a cidade faz cesta, e das 13:00 as 17:00 você vai encontrar a cidade toda fechada, nós não havíamos almoçado e tivemos que esperar até as 17h o supermercado abrir para comprar alguma coisa para comer. Carhué está situada a mais ou menos 5 Km de Vila Epecuén, e é banhado pelo mesmo lago. Nós nos hospedamos no camping municipal e nos custou 40 pesos por pessoa + 40 pesos a barraca + 40 pesos o carro, um total de 160 pesos por dia, o que na cotação que conseguimos deu em torno de R$45. O camping era bem simples, mas para quem quer mais estrutura tem outro camping que tem inclusive piscinas termais, mas era um pouco mais caro.

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No caminho de Carhué ao ex-balneário de Epecuén já se encontram muitos reflexos de quando as águas salgadas do lago subiram, como por exemplo Matadero Municipal, que continuou funcionando mesmo quando as águas começaram a subir, o mesmo ficou ilhado e os trabalhadores chegavam ao mesmo de barco, até o ponto que a água invadiu e as operações foram abandonadas. Ainda no caminho se observa muitas árvores completamente secas e brancas, ação de terem ficado abaixo de água salgada por muito tempo.

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Para fazer a visita, custa 50 pesos por pessoa e o horário é das 9:00 as 20:00, e o ingresso é válido para 2 dias. Dentro da vila você tem total liberdade para circular, sem guia ou cordões de isolamento, a única coisa é que se aconselha que não se adentre as construções pois há risco de desmoronamento, e quando se olha o estado das casas não é difícil de acreditar. Fora isso caminhamos sobre os escombros, entramos nos terrenos das casas e estabelecimentos comerciais, assim como da região das piscinas à beira do lago, que eram a grande atração dos tempos de ouro da cidade. Na parte mais afastada do lago as construções se mantem de pé, apesar do desgaste aparente, mas conforme se aproxima do lago menos se vê de uma cidade e mais de ruínas. Entre as pilhas de escombros pode em muitos momentos se identificar coisas como uma lareira, uma escada, janelas ou alguns móveis. Na frente de onde ficavam as principais construções da velha cidade se tem placas explicando o que havia ali e quem eram os donos, muitas vezes com fotos do local. Uma mapa distribuído na entrada também te guia nas ruas da antiga cidade, aponta alguns lugares para ver e conta a história do local.

Fora das ruínas, na antiga estação férrea, há um vídeo explicativo com a história do local e fotos antigas, o ingresso também da direito a essa parte, mas fica a uns 2 Km, e diferente das ruínas que está aberta sem interrupções, essa parte da visita também aderiu a cesta, e funciona das 9h às 12h, e das 17h às 20h.

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Outra dica é dar uma passada na Praia Ecológica saindo das ruínas de Epecuen e voltando para Cahrué. Existe no caminho uma praia bem pequena onde é permitido tomar banho no lago, aproveitar a água extremamente salgada (não sei como alguém aproveita isso) e o poder medicinal do barro que atraia tantas pessoas a Epecuén nas décadas passadas. Nos vimos algumas pessoas dentro d’água, mas nós não nos aventuramos tanto, só de colocar a mão já se sentia o sal. Vale passar para dar uma relaxada, sentar um pouco e admirar a vista. No lago vimos também muitos flamingos durante todo o percurso.

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