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El Bolsón, o paraíso das cervejas artesanais

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El Bolsón está localizada a 120km ao sul de Bariloche e fica no centro de um vale, a cidade possui o charme de estar rodeada por montanhas. Além do mais, é parada obrigatória para os amantes de uma boa cerveja artesanal. É nessa região que estão as fazendas de lúpulo da Argentina, produto que vem sendo reconhecido pela qualidade em todo o mundo, e claro que a proximidade com esse insumo cervejeiro fomentou todo um mercado local, e a região está repleta de micro cervejarias artesanais e produtores caseiros. A cidade também possui uma atmosfera hippie, com muito artesanato e viajantes nômades que param mais tempo na cidade.

Nós conhecemos a cidade em apenas dois dias, mas se você tiver um pouco mais de tempo, e quiser conhecer todos os atrativos do lugar, reserve de 4 a 5 dias, pois a região é incrível e com muitas atividades distintas.

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Av. San Martin no Centro da cidade

Nosso objetivo em El Bolsón era conhecer uma fazenda de lúpulo, pois caso vocês não sabem, o Luis é cervejeiro artesanal a apaixonado por lúpulo. Tínhamos o contato de uma das fazendas e havíamos enviado um e-mail para combinarmos a visita, porém não tivemos retorno. Chegamos na cidade no meio da tarde e fomos buscar o centro de informações turísticas. Lá recebemos mapas e várias indicações de passeios. A cidade tem muitos passeios e lugares lindos para conhecer, mas que demanda tempo, pois são passeios na natureza e que precisam de mais de um turno e tempo de caminhada. Nós não tínhamos muito tempo, então tivemos que eleger com bastante dificuldade poucas atividades na cidade. No centro de informações turísticas também nos passaram a indicação do local onde ficavam as fazendas de lúpulo, porém não sabiam informar sobre visitas.

A cidade era reduto de hippies na década de 70 e mantem muito deste estilo de vida até hoje. A maioria das hospedagens da cidade são campings e hosteis, mas se encontram hotéis também. A cidade tem muitos campings mesmo, para todos os gostos e bolsos. São 11 campings, alguns junto ao rio Quemquemtreu, outros bem próximo ao centro da cidade, e o mais famoso fica na estrada chegando na cidade e pertence a cervejaria El Bolsón, fica no mesmo local da fábrica e do bar. Nós ficamos em um dos campings junto ao rio Quemquemtreu.

Aproveitamos o dia que chegamos para conhecer a cidade a noite, há muitas cervejarias artesanal na cidade, porém poucas com seus bares próprios, a noite da cidade é um pouco agitada, há muitos bares e a cidade é bem iluminada, ótima para caminhar, apesar do frio.

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Movimento do centro de El Bolsón

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No dia seguinte fomos pela manhã na feira de artesanato que acontece na praça central da cidade. A feira é super conhecida, e se pode encontrar de tudo, desde artesanatos hippies a frutas orgânicas, bolos e doces artesanais, joias em prata e pedras, muita arte em madeira, peças de lã tricotadas, cervejas artesanais, antiguidades, foi a Disney para nós. Dica: não chegue muito cedo, pois você irá encontrar as pessoas chegando e montando suas barraquinhas, o movimento começa pelas 10 horas da manhã. A fera começa em teoria as 9:00, vai até o meio da tarde e acontece as terças, quintas, sábado, domingos e feriados.

Aproveitamos uma cerveja artesanal e conhecemos também a praça da cidade, podemos ver o Cerro Piltriquitron ao fundo, a paisagem é deslumbrante.

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Feira artesanal de El Bolsón

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Aproveitando das melhores cervejas artesanais da Argentina

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Arvore talhada na praça central da cidade, referência ao Bosque Talhado, atração da região

Depois de almoçar seguimos para o nosso grande objetivo, as fazendas de lúpulo, afinal não tínhamos visita reservada em nenhuma, mas não custava bater na porta. E foi exatamente o que fizemos.

Paramos em frente a Lúpulos Patagônicos e resolvemos entrar. Fomos extremamente bem recebido pelo Klaus, o dono da fazenda e que mora no local, junto com seus 2 cachorros percorremos as plantações, nos contou sobre a história do seu negócio, que está no mercado a 30 anos, contou sobre as novas cepas que ele está cultivando para ampliar as opções de lúpulo para o mercado artesanal, sobre o rígido controle de qualidade que o mercado europeu exige para importação e sobre a dificuldade que é exportar para o Brasil, visto os nossos tão conhecidos impostos e o valor absurdo de transporte de pequenas quantidades para o Brasil. Vimos todo o processo, e foi uma experiência única. Klaus foi uma pessoa incrível, trocamos contato e depois de passar toda a tarde na fazenda, voltamos para o camping cheios de flores de lúpulo e felizes da vida. Confessamos que deu vontade de pedir para ficar lá trabalhando por uns meses, quem sabe na próxima visita!

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Plantação de lúpulo cascade

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Plantação de lúpulo willamete

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Colheita do lúpulo

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Separação da flor do lúpulo das folhas

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Secagem do lúpulo

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Klaus, nosso guia e dono da Lúpulos Patagónicos

No dia seguinte aproveitamos para dar uma relaxada e fomos a Muelle, uma praia a 18 km ao sul de El Bolsón, passamos o dia curtindo a praia de pedras do lago Pueblo e caminhando pelo bosque repleto de amoras, infelizmente poucas estavam maduras, mas deu para comer um pouco direto do pé.

De Muelle saem barcos de passeio pelo lago, são 2 passeios, o passeio costeiro, com duração de 1 hora e percorre a costa do lago, e o passeio até o limite com o Chile, esse com duração de 3 horas e uma caminhada de 30 minutos nos limites com o país vizinho. O lugar é muito bonito, e sem dúvida o passeio teria valido a pena, contudo preferimos a ideia de sentar, ou até deitar, nas pedras da praia e aproveitar a tarde no lugar. No caminho de El Bolsón a Muelle se passa pelo povoado de Lago Pueblo, super pequeno e muito simpático, aproveitamos a volta e paramos para comer alguma coisa por ali.

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Praia de Muelle

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Aproveitando para dar uma relaxada na “areia”

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Amoras selvagens!!!

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Passeio no bosque

Nós tivemos pouco tempo em El Bolsón, porém a cidade oferece opções de cavalgadas, trekkings, rafting, pesca esportiva e montanhismo. A 50km da cidade se encontra o ponto de partida do Viejo Expreso Patagônico, um trem a vapor reformado da década de 20, que sai da cidade de El Maitén e passa lentamente por paisagens patagônicas. O trem para em alguns pontos para os passageiros tirarem fotos, a viagem termina em Esquel. O cerro Piltriquitron é uma das principais atrações da cidade de El Bolsón, é possível fazer trekking e passear pelo bosque talhado, formado por esculturas talhadas em troncos de arvores que restaram de um incêndio florestas da década de 80. Há também o Perito Moreno, uma montanha onde funciona um centro de esqui, no verão fica fechado, pois não há neve. Outro lugar muito indicado é El Cajon Azul, um cânion de 900 metros de extensão, rodeado de bosques nativos com um lago de águas azuis, para chegar é preciso caminhas cerca de 3 horas. A região possui cascatas, lagos, trilhas para miradores em bosques ciprestes, e uma beleza natural impressionante. É possível também visitar a cervejaria artesanal El Bolsón, tomar boas cervejas no Pátio Cervejeiro, ou em outra oportunidade das várias que a cidade vai te apresentar, pois a cultura cervejeira é muito forte por lá.

De Rio Gallegos à Ushuaia – o caminho para terra do fogo

By | Argentina | No Comments

A patagônia é com certeza um lugares no mundo que mais recebe viajantes de carro, moto, trailer e outros meios motorizados, e não é por menos, nos rodamos por quase toda essa região, e além de cidades incríveis, a paisagem das estradas era um espetáculo a parte. Nesse post vamos tratar de um dos trajetos que mais tínhamos dúvidas e incertezas, e ajudar a leitores que se animem nessa aventura sobre rodas.

Para chegar ao Ushuaia de carro existem algumas coisas que você precisa saber. Saímos de Puerto San Julian cedinho e fomos pela Ruta 3 sentido sul, passamos pela Reserva Nacional Monte León, vale muito o passeio, se quiser saber mais fizemos esse post sobre o parque, passamos o dia lá e no fim do dia seguimos para Rio Gallegos, parada obrigatória para quem vai até Ushuaia, vamos explicar o porquê.

Rio Gallegos é a cidade mais próxima da balsa que liga o continente a terra do fogo, a balsa tem restrições quanto ao vento, muito vendo igual a balsa parada, a orientação que tivemos foi de ir bem cedinho, pois pela manhã venta menos, e também porque a balsa somente transporta 30 carros por viajem, então quanto antes chegarmos, antes seguimos viajem. Sem falar da aduana que passaríamos, sim, tem que entrar e sair do Chile antes de chegar ao Ushuaia.

Rio Gallegos em si não é uma cidade com muito atrativos, é uma cidade relativamente grande, com cerca de 95 mil habitantes, possui boa infraestrutura, com hotéis, hosteis, campings, restaurantes e bares, mas definitivamente não é uma cidade turística, apesar de ser parada obrigatória para todos que estão a caminho do Ushuaia de forma motorizada. No sul da Argentina as cidades ficam muito distantes uma da outra, e se hospedar em alguma cidade antes tornaria a viagem até a balsa e até Ushuaia muito comprida.

Chegamos em Rio Gallegos no fim do dia, e fomos buscar um camping, como a cidade recebe muitos viageiros, possui algumas opções de campings, onde ficamos tinha uma estrutura ótima. Conhecemos pessoas muito bacanas no camping, compartilhamos dicas de viagens e muitas histórias. Como chegamos na cidade no fim do dia, reservamos duas noites para poder conhecer um pouco a cidade e região.

No dia seguinte fomos conhecer a cidade, fomos a praça de armas, que é bonita, depois seguimos para a costa, que nos pareceu um pouco abandonada, as pessoas não frequentam o lugar que inclusive não passa uma sensação de segurança. Fomo também ao Museu Ferroviário, que estava fechado e mais parece um cemitério de trens abandonados, com a exceção de um que estava reformado. O lugar não é cuidado ou organizado, e servia de dormitório de moradores de rua visto as roupas e colchões encontrados dentro dos trens, e as grades estavam rompidas, por isso conseguimos acessar o local.

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Monumento da praça de armas de Rio Gallegos

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Construção abandonada na costa da cidade

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Trem reformado do Museu Ferroviário

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Cemitério de trens

No dia seguinte saímos bem cedo rumo a balsa, abastecemos, e essa parte é bem importante de falar pois existem pouquíssimos postos de gasolina no caminho. Antes de chegarmos na balsa fizemos uma parada para conhecer a Laguna Azul, uma indicação que se mostrou uma das melhores surpresas da viajem, a laguna fica a 60km ao sul da cidade de Rio Gallegos. A laguna é um espelho de água localizado na cratera de um vulcão inativo do campo vulcânico de Pali Aike. O lugar e surpreendente, e queríamos ter mais tempo para poder ficar e caminhar pelo campo, a chegada é fácil, o vulcão é muito velho e sua cratéra está basicamente no nível da estrada, e se chega de carro até muito próximo. É possível descer até a laguna e caminhar pela região, mas ai a descida, e posteriormente a subida, é bastante íngreme. A entrada é gratuita e de livre acesso.

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Laguna Azul, na cratera de um vulcão

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Antes de chegar na Balsa, existe a fronteira com o Chile. Sair pela aduana da Argentina foi fácil, levamos menos de 40 minutos, porém, entrar pela aduana no Chile nos tomou mais de 2 horas, uma das aduanas mais confusas e burocráticas que já passamos.

Andamos 50km em território chileno, boa parte em estrada de chão (ou rípio como é chamado) e finalmente chegamos na balsa. Não esperamos muito até embarcar. A balsa custou 375 pesos argentinos pelo nosso carro, a balsa também pode ser paga em pesos chilenos. A viajem foi rápida, durou cerca de 45min, e dentro possui um café simples com cachorro quente para quem quiser comprar algo quente, mas claro, com valores extremamente inflacionados.

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Saímos da balsa e seguimos mais 150km até voltamos para território argentino. Para sair do Chile e entrar na Argentina foi bem tranquilo.

Seguimos pela Ruta del Fin del Mundo, e perto de chegar a Ushuaia, o visual muda completamente, de uma vegetação de serrado baixa, com cores amareladas, para uma vegetação de bosque, com muito verde, lagos azuis e cores vivas. No caminho paramos para abastecer na cidade de Rio Grande, afinal nesse trajeto não haviam postos de gasolina. Passamos por Tolhuin, a cidade nos lembrou a cidade de Gramado no Rio Grande do Sul, com casas estilo alemãs, muitas fores coloridas nos jardins, muita madeira, chegamos a buscar hospedagem na cidade, mas além de estar cheia, as opções de hospedagens ainda disponíveis, apesar de encantadoras, eram muito caras. Aproveitamos a parada para comer na confeitaria La Union, uma confeitaria indicada por vários viajantes. O lugar não é extremamente lindo, mas os doces… são simplesmente maravilhosos e o preço é bem justo. A confeitaria é conhecida por ser a melhor da Argentina, nós não podemos afirmar isso, afinal não fomos TODAS as confeitarias do país, mas essa foi a melhor que comemos.

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Doces e um chá para animar os viajantes antes de voltarmos para a estrada

Não faltava mais muito para chegar a Ushuaia, e no caminho passamos pelo Lago Fagnano e pelo Lago Escondido, a estrada possui vários miradores, pois a paisagem dos lagos cor azul anis se mesclam com as montanhas nevadas, e o bosques verdes. Nestes lados vá especialmente com calma, além da paisagem ser deslumbrante e te distrair, o caminho tem muitas curvas e muitos motoristas que são acostumado com velocidades acima dos 100km.

Depois de mais de 11 horas de viajem, 700km percorridos, grande parte em estrada de rípio, quatro aduanas e uma balsa, chegamos ao Ushuaia, ainda com claridade, graças ao verão patagônico que amanhece as 5:00 e anoitece as 21:30.

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Selfie no mirador para o Lago Escondido

Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo

By | Argentina | One Comment

Bom, temos muito do que falar da cidade de Ushuaia, a cidade que é considerada pelos argentinos o fim do mundo, tem uma discussão sobre o assunto com o Chile, pois Puerto Willians geograficamente fica mais ao sul que Ushuaia, mas é tão pequeno que os argentinos não a consideram uma cidade e sim povoado. Bom, não vamos entrar no mérito, e para nós o Ushuaia é a cidade pagável mais ao sul do mundo, visto que Puerto Willians se chega apenas de avião ou barco, e é extremamente caro.

Mas vamos começar chegando na cidade. Você sabe que está chegando na cidade pela paisagem da estrada, a vegetação muda, o cerrado dá lugar a curvas, morros, bosques verdes e diversos lagos bastante azuis, pouco antes de chagar há uma cidade chamada Tolhuin, toda ajeitadinha, onde resolvemos parar pois nos haviam indicado a confeitaria La Union, “a melhor confeitaria da Argentina”. não fomos a todas as confeitarias do país, mas fez jus a fama. De fato a confeitaria tinham doces maravilhosos e preços bem justos. Seguimos pela estrada até Ushuaia, no caminho existem alguns miradores, pois passamos por lagunas e paisagens inacreditáveis.

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Chegada a Ushuaia

Não espere do Ushuaia uma cidade com casinhas colônias, ou uma cidade arquitetonicamente projetada. A cidade possui duas ruas principais, e salvo algumas construções mais coloniais, a arquitetura é bem tradicional.

Ao sul da cidade está o estreito de Beagle e junto a ele uma reserva ambiental, o Parque Nacional Tierra del Fuego. Reservamos três dias para conhecer a cidade e dois para conhecer o parque nacional. Assim que chegamos na cidade fomos buscar hospedagem, pois estávamos em contato com uma pessoa que iria nos hospedar, porém ela não havia retornado nossas últimas mensagens e chegamos sem ter onde ficar. Fomos em fevereiro, e a cidade está cheia neste período, vários hosteis e hospedagens já estavam lotados e os camping disponíveis são no parque nacional, então camping não era uma opção, porém conseguimos um hostel perto da região central da cidade. Depois de hospedados fomos conhecer a cidade que tem várias atrações e opções de passeios.

Mirador Passo Garibaldi:

Este mirador está na Ruta 3, próximo a entrada da cidade, paramos na nossa chegada pois o visual é incrível, e estávamos deslumbrados com a estrada. Dele é possível ver os Lagos Escondido e Fagnano.

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Lago Escondido e Fagnano ao fundo

Rua San Martin:

É a rua principal da cidade, nela se pode encontrar  casas de câmbio, alguns hotéis, lojas de roupas quentinhas, confeitarias, agências de viagens, e vários restaurantes e bares. É bem charmosa e movimentada. Nos caminhamos por ela durante o dia e a noite, quando tem um charme bem diferente.

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Bela Calle San Martin a noite

Glacial Martial:

Nós fomos no segundo dia para o glacial Martial, que é relativamente próximo a cidade, porém ir a pé é uma caminhada íngreme e longa e não tem ônibus para lá. Nós fomos de carro, mas pode-se ir com taxi ou tours. Chegando lá, há um estacionamento, alguns cafés e uma guarita com informações. Como fomos no verão, o teleférico para subir fica desativado, pois não há neve na primeira parte de subida. A entrada é gratuita. As trilhas são bem sinalizadas, e a subida é relativamente fácil, subimos até um dos pontos mais altos, onde acaba a trilha, em pouco mais de uma hora. É possível subir bem mais, porém para continuar e ver o outro lado da montanha, somente é possível com agência de turismo e grupos especializados que fazem o tour que contempla trekking e escalada, porém no verão não há esse tour em função da pouca neve. Neste passeio que fizemos não necessita de tour ou guia, e nem de grampões (equipamento para caminhada em gelo), pois a trilha não tem neve, a quando chegamos na neve a trilha termina. Na descida optamos por ir pela trilha do bosque, um caminho paralelo ao da subida, e que passa entremeio a um bosque bastante verde e denso. E depois de algumas horas de caminhada tomamos um chocolate quente ao pé do Glaciar para se esquentar.

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Subida ao Glacial Martial

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Lê curtindo a neve e gelo

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A alegria de chegar ao final da trilha

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Glacial ao topo da montanha

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Cidade de Ushuaia ao fundo

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O belo caminho do bosque

Orla Bahia Ushuaia

A orla da cidade é a segunda rua mais movimentada, nela se encontram vários restaurantes,  hotéis, e algumas lojas. Aqui também está o porto, de onde saem os cruzeiros rumo a Antártida, o museu do Fim do Mundo, que optamos por não entrar, a famosa placa “Ushuaia Fin del Mundo”, onde todos os turistas tiram fotos, e nós também, e o Barco Saint Christopher. Este barco de origem americana, foi utilizado na segunda guerra mundial na invasão a Normandia, o famoso dia D. Depois dos seus anos de glória, foi parar em uma empresa argentina de reboques de barcos, foi reformado, porém  com o tempo teve sua estrutura danificada, sendo deixado de lado na Bahia de Ushuaia. Em 2010 começaram obras de restauração do barco, que hoje faz parte do visual da cidade. Nos percorremos quase toda a orla a pé.

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Bandeiras da Argentina e da Tierra del Fuego

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Barco Saint Christopher

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Museu Marítimo e Presídio

Conhecer este museu, significa conhecer o início da cidade de Ushuaia. A cidade começou de fato com a construção do presídio central, pela sua localização. O presídio foi construído pelos próprios detentos e pelo exército, e em 1920 abriu as portas oficialmente. Era um presídio de segurança relativamente baixa para detentos de alta periculosidade, mesmo assim, há registro de somente uma fuga bem sucedida. A região é tão fria e inóspita que os detentos que fugiam, voltavam buscando comida e agasalho. É possível visitar quatro das cinco alas do presídio, uma das alas está a reconstrução de como era na época e conta a história de alguns dos presos mais conhecidos, outra ala está exatamente como o presídio foi encontrado, e não possui calefação, esta ala é especialmente gelada e com uma atmosfera bastante pesada, as outras duas alas são uma galeria de arte e uma loja de souvenir. As visitas guiadas acontecem em 2 horários diários, a entrada custa 150 pesos argentinos e é válida por 48hrs, então se pode voltar no dia seguinte. É possível também fazer uma visita teatralizada ao museu, somente disponíveis as segundas, quartas e sextas, as 20:00 horas, e somente para maiores de 15 anos. Nesta visita, você ganha um uniforme de presidiário e conhece o museu sobre um perspectiva bem diferente, custa 180 pesos argentinos.

Junto está o museu marítimo, que conta com réplicas de várias embarcações e conta a história da chegada de Beagle, Fitz Roy e várias pessoas importante a Tierra del Fuego, inclusive Darwin que foi estudar a vida marinha por lá. Nós visitamos o museu somente em um dia. A visita guiada é bem completa e está incluída na entrada.

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Ala do presídio mantida como encontrada depois do seu abandono

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Museu Marítimo, representação de 3 exploradores que viveram em um antigo farol no sul da Tierra del Fuego, e ao fundo pedaços de madeira que pertenciam ao farol

Galeria temática

A galeria temática fica na rua San Martin, próximo ao presídio, acompanha áudio guia e custou 140 pesos argentinos. No passeio é possível ver de forma mais reconstruída toda a história da cidade, desde a cultura dos antigos índios, moradores da região desde a pré história e sua cultura, bem como a chegada de Darwin, Fitz Roy e outros na cidade, além de vários outros momentos históricos e importantes para a região. Foi uma experiência bem diferente e nos surpreendeu positivamente.

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Recriação dos Yamanas, primeiros habitantes da Tierra del Fuego

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Canoa Yamana e explicação de seus métodos de pesca e colheita de moluscos

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Explorador Fitz Roy e alguns fuoguinos que foram levados a Inglaterra

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O principal trabalho dos presos do presidio de Ushuaia era o corte de madeira da região, na qual era usada para construção, e bem importante, para calefação

Bares e Restaurantes

Existem opções para todos os gostos na cidade, desde cordeiro patagônico assado inteiro em fogo de chão, empanadas, e a famosa centolla inteira, o caranguejo gigante. A centolla é um prato bastante turístico, e muitos procuram os restaurante pela experiência de comer um animal tão grande como este. Nós ganhamos de presente de casamento e comemos o caranguejo gigante em um dos restaurantes da San Martin, mas se encontram em vários lugares da cidade. Você escolhe o caranguejo em um aquário e ele vem cozido inteiro para a mesa, junto com uma tesoura e um avental. De fato é um experiência única, não é muito fácil comer o bichinho, e não é uma experiência barata, uma janta desta sai bem caro e o preço é por peso, em médio 300 pesos por quilo, o nosso caranguejo era pequeno e pesava 1,5Kg. A cidade também está cheia de bares, a nossa indicação é o Bar Ideal, um bar irlandês, que fica em uma das casas de madeira antigas da Calle San Martin, esse é o bar mais antigo de Ushuaia, e cheio de bilhetes de viajantes na parede, desafio a encontrarem o nosso. Lá encontramos o Cesar, um morador da cidade que viveu sua vida toda em Ushuaia, seu pai foi um dos carcereiros do presídio, e tivemos o prazer de ouvir grandes histórias da cidade por uma pessoa que as vivenciou, indescritível.

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Nosso encontro com Cesar no Bar Ideal

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Cadeira original da barbearia que funcionava na casa antes de se tornar o Bar Ideal

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Pronto para comer a centolla

Parque Terra Del Fuego

O Parque Nacional Tierra del Fuego fica bem ao sul da cidade, as margens do estreito de Beagle,  Bahia Lapataia e faz fronteira com o Chile. A entrada do parque custa 100 pesos argentinos e a da direito a três dias e duas noites no parque, podendo passar todo o tempo dentro, ou ir e voltar nesse período. Para chegar, pode-se ir de carro, como nós fomos, de ônibus, ou com o trem do fim do mundo, em estilo Maria fumaça, leva os turistas até o parque e faz o passeio interno. O parque tem diversas trilhas, um prato cheio para os amantes de trakking. Dentro do parque existem restaurantes, cafés, um camping pago e com estrutura e campings rústicos gratuitos, esses possuem apenas banheiro químico, mas os melhores banheiros químicos que já vimos. Obviamente só é permitido acampar nas áreas indicadas. Nós chegamos no início da tarde no parque e percorremos ele de carro, para reconhecer a área. Fomos até a Bahia Lapatia, e fizemos as trilhas dessa região. As trilhas que fizemos no primeiro dia são pequenas e nela pudemos observar bosques, uma represa de castores abandonada e as paisagens lindas da costa da Bahia. Nesta noite o plano era acampar, porém fazia frio e ventava bastante, optamos por dormir no carro.

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Mapa do Parque Nacional Tierra del Fuego

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Bahia Lapataia

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E chegamos ao final da Ruta 3, quem dera irmos até o Alaska

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Coelho livre na natureza

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Caminhada no meio da natureza

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Barragem de castores

No dia seguinte acordamos tarde, pois como o tempo estava bastante feio pela manhã, com chuva e bastante frio, aproveitamos para dormir um pouco mais. Quando o tempo melhorou, fomos até um dos cafés do parque, e lá conhecemos dois brasileiros que nos indicaram a trilha Hito XXIV, uma trilha que chega até a divisa da Argentina com o Chile. Resolvemos fazer esta trilha, que leva cerca de 3 horas. A trilha é fácil e quase toda plana, na maior parte com vegetação bem fechada, mas que costeia o lago Roca, então horas se está na beira do lago, horas se está em meio aos bosques. Chegamos ao fim da trilha, na divisa com o Chile, que somente é sinalizado por uma placa, não existem cercas nem muros. Entramos ilegalmente no Chile por alguns minutos, hehehe, logo voltamos, afinal queríamos o carimbo no passaporte da entrada do país, sabe como é.

Vale a pena ficar mais dias no parque, o lugar é lindo, as trilhas são bem sinalizadas, gostaríamos de ter feito mais algumas, Neste parque nacional não se indica beber a água dos arroios, então leve a água que for consumir, lá dentro é caro.

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Parada na trilha HITO XXIV para admirar a vista da Bahia Lapataia

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Trilha até a fronteira com o Chile

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Placa que sinaliza o limite Argentina / Chile

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Bahia Lapataia

 

Playa Larga:

Considerada reserva natural e cultural, a Playa Larga fica a pouco mais de 3 km da cidade e as margens do estreito de Beagle. É bem popular para os que fazem trekking, pois se pode ir caminhando, porém, há estradas e nós fomos de carro. O visual é muito bonito, e se pode  encontrar, mar, montanha, neve e cidade em uma mesma paisagem. A vista da baia com a cidade ao fundo é um cartão postal.

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Vista da cidade de Ushuaia com as montanhas nevadas ao fundo

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Laguna Esmeralda:

Esse foi a nossa última parada da cidade, por estar na Ruta 3 aproveitamos para ir no dia que iriamos embora, fazendo uma parada nesse lugar incrível.

Ela fica bem afastada, o início da trilha que leva até a laguna fica na Ruta 3, e  para chegar somente de carro ou tour. Existem duas entradas para a Laguna, uma pela rodovia, que é gratuita, e outra pelo Valle de Lobos, uma fazenda de criação de cães da raça Huskies siberianos e que também dá acesso a uma trilha até a Laguna. Pela Valle de Lobos é preciso pagar 50 pesos argentinos, eles possuem uma estrutura de banheiros e restaurantes e indo pelo seu acesso se ganha uma bebida quente no retorno. se a opção for pelo Valle de Lobos se atente a hora, eles fecham a partir do meio da tarde. Nós fomos pelo acesso gratuíto. São 4 horas de trilha para ir e voltar, mas calcule 5 horas, acredite na gente, você vai querer passar um tempo só admirando o lugar!

A trilha é bem sinalizada, muito bonita e na maioria do seu trajeto plana. Não é recomendado fazer a trilha a noite, e encontramos bastante pessoas no caminho. Chegando lá, ficamos surpreendidos pela cor da água, um verde que faz jus ao seu nome.

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Laguna Esmeralda

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A cidade possui muitos tour pelas agências de turismos que se encontram na cidade que contemplam diversos passeios, as opções são diversas, vale a pena pesquisar. Existem alguns passeios que não fizemos por algum motivo, mas que vale a pena buscar como, trekking pelo glacial Vinciguerra que leva um dia inteiro, ou o passeio de barco pelo estreito de Beagle até a ilha dos pinguins, que também leva um dia, se tiver sorte pode ver alguns pinguins reis, que são enormes. Então reserve uma semana na cidade se você quiser fazer todos os passeios que essa cidade tão diversa oferece.

 

Puerto San Julian

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Puerto San Julian é uma cidade da patagônia argentina com pouco mais de 7 mil habitantes, que se localiza na Bahia San Julian. A cidade conta com um porto bastante importante para a região e também com um aeroporto.

Chegamos na cidade ao meio dia e fomos buscar hospedagem. Ficamos em um camping muito bom, bem pertinho do mar. Aproveitamos o resto do dia pra conhecer um pouco a cidade, que na verdade não possui muitos atrativos. Além de um monumento as Malvinas, a beira da praia que é bem rustica. O principal ponto turístico da cidade é um museu pequeno no formato da réplica de um barco que deu a volta ao mundo e atracou na cidade, nós não conseguimos fazer a visita porque estava ventando, e com vento toda a parte do convés fica fechada e a própria funcionário do museu falou que não valia a pena fazer apenas a parte interna. O ingresso ao museu são 10 pesos argentinos. Contudo, o principal atrativo da região é o Caminho Costeiro, esse que fica longe da região central.

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Barraca montada e prontos para conhecer a cidade

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Praia de Puerto San Julian

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A Bahia San Julian é um reserva nacional e nela que está o Circuito Costeiro, o circuito possui 27km, a ser percorrido de carro, por alguns pontos da bahia. Todo o caminho é sem pavimento, e com pedregulhos, na Argentina conhecido como rípio. O caminho também não é muito bem sinalizado, é um circuito que costeia o mar na maioria do seu trajeto. Nós disseram que existem tours de agências de turismo que fazem o passeio, como estamos viajando de carro resolvemos fazer por nós, porém a estrada não é muito boa, e como estamos com um carro compacto tiveram alguns pontos que não pudemos chegar, mas que uma caminhonete chegaria sem problemas.

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Pode-se observar ao longo do caminho praias de águas verde azuladas, com formações impressionantes, a areia não é como a que estamos acostumados, são formado por pedrinha muito pequenas, fragmentos de conchas e carapaças de moluscos de várias cores. O lugar não é tão conhecido e explorado pelos turistas, por isto cruzamos com pouquíssimos carros ao longo do trajeto.

Ao fim do Circuito costeiro, pode-se observar uma Loberia, com espécies de lobos marinhos de várias idades, mas antes de chegarmos lá, passamos por paisagens lindas, horas na altura do mar, horas em cima de paredões de rochas onde se pode ver a paisagem do alto. Em um ponto de circuito existe um camping rústico, porém infelizmente está bastante abandonado.

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El Chaltén e a montanha Fitz Roy

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El Chaltén é conhecida como a capital argentina do trekking, fica ao sul da cordilheira dos andes, na patagônia argentina e tem pouco mais de 500 habitantes no inverno. Recebe milhares de turistas no verão, que tem por objetivo subir a montanha Fitz Roy e a montanha Torre.

A cidade na verdade é um povoado pequeno, porém com estrutura para receber os turistas. A maior cidade próxima é El Calafate, que conta com aeroporto e linhas de ônibus para El Chaltén. Chegando na cidade a primeira coisa que fizemos foi nos registrar na administração do parque nacional, chamado Los Glaciares. Lá recebemos mapas e várias instruções sobre hospedagem e principalmente das trilhas. Fomos em fevereiro, e haviam muitos viajantes na cidade, e a cidade dos mochileiros.

A cidade conta com várias opções de hospedagens, é possível se hospedar em hotel, hostel ou camping, há opção para todos os bolços, porém poucas hospedagens que possuem internet, somente as mais caras. Na verdade a cidade não é propriamente barata, os mercadinhos, restaurantes e bares são bem inflacionados. Contudo existem muitas opções de bares e restaurantes.

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Nós ficamos hospedados em um camping. Vale lembrar que mesmo no alto verão, estamos na patagônia e a noite pode fazer muito frio, se a opção for a mesma que a nossa é bom estar preparado com um bom saco de dormir. Como chegamos no início da tarde, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade e nos preparar para o trekking de dois dias e uma noite que havíamos nos propostos a fazer.

As opções do parque nacional são várias, e nele está o Glacial Viedma, se chega a ele apenas de barco e com tour. Nos indicaram esse como um dos melhores trekking em glacial da América do Sul, mas achamos o valor um pouco caro e optamos por não fazer, de qualquer forma, é um trekking de um dia, e custa 1700 pesos argentinos, inclui transporte e alimentação. Também é possível fazer rafting, cavalgadas, passeios de bike, passeios de barco e escaladas.

Nós tínhamos dois objetivos no nosso trekking, ir até a Laguna de Los três, na montanha Fitz Roy e a Laguna Torre na montanha Torre. Sim, nós queríamos subir as duas montanhas em dois dias.

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Mapa das trilhas de El Chaltén

Como já comentamos aqui, no post sobre nosso primeiro trekking da viajem, em Torres Del Paine, os parques nacionais possuem uma fiscalização e cuidados muito específicos para estas reservas. Nos parque nacionais da Argentina, assim como no Chile, não se pode fazer fogo, você é responsável pelo seu lixo, não existem lixeiras no caminho, existem as áreas específicas para camping e não é permitido acampar fora das áreas. Os campings são gratuitos, com exceção de um em uma área privada. As aéreas de camping estão localizado no meio das trilhas. Eles não tem banho e o banheiro é no estilo capunga. As pessoas que fazem este tipo de turismo são bastante conscientes de deixar a montanha do jeito que encontrou e procuram interferir o mínimo possível na fauna e flora local.

Seriam dois dias de caminhada, e nosso plano foi acampar na área de camping gratuita Poincenot, perto da Laguna de Los Três. Para isso montamos as nossas mochilas com o necessário, e só o necessário, pois passaríamos dois dias carregando nossas coisas, e como já dito, tudo o que se leva e não se usa, é peso carregado por nada.

Saímos do camping e deixamos o carro em uma estacionamento no início da trilha. Logo de início pudemos observar condores voando muito pertinho de nossas cabeças. Foram cerca de 3 horas de caminhada até chegar ao acampamento. Passamos pela Laguna Capri, e ali almoçamos, descansando e aproveitamos o lugar que é simplesmente lindo.

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Vista no início da trilha, para empolgar a subida

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Condor que avistamos voando na nossa primeira parada

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O visual dos picos nevados que acompanha o caminho é deslumbrante

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Caminha da até o destino

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parada na Laguna Capri para almoço e um descanso

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Laguna Capri com vista ao pico da montanha Fitz Roy

Chegamos no início da tarde no acampamento Poincenot, já haviam algumas barracas montadas na área de camping, escolhemos um lugar e armamos a nossa. Demos uma pequena descansada, comemos um snack e seguimos caminhada por mais quase duas horas até a Laguna de Los Três, o plano era segui até o final da trilha, voltar para dormir, para no outro dia irmos então para a Laguna Torre. No primeiro dia foram no total 10km de caminhada intença, subimos 750 metros em um total de quase 5 horas.

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Caminho chegando no acampamento

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Uma das aves que rondavam as barracas na área de camping

Acreditem, o lugar compensa o cansaço e esforço. No primeiro momento que se avista a Laguna de los Tres ainda falta um pouco para chegar nela, é uma parte mais alta de pedras com uma visão panorâmica, de um lado a laguna, do outro uma vista ampla do parque nacional, sentamos por um bom tempo apenas apreciando a vista, era deslumbrante. Depois descemos até a laguna, uma descida bem ingrime, que significa uma subida igualmente ingrime e bastante puxadinha.

Uma curiosidade, o nome El Chaltén significa “montanha que fuma / fumega” na linguá do povo que habitava antigamente a região. Como podem conferir na foto, e pelo que nos falaram, quase sempre há uma nuvem no pico da montanha Fitz Roy, dai o nome da cidade.

Voltamos para o acampamento, conversamos com algumas pessoas e depois fomos dormir, pois no dia seguinte tinha mais caminhada.

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Laguna de las Tres e todo seu esplendor

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Vista do parque do topo do Fitz Roy

 

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O dia seguinte começou cedo, desmontamos acampamento e voltamos a trilha em que estávamos até o encontro com a trilha Madre e Hija, caminhamos por cerca de 8km em um caminho plano, onde passamos por bosques incríveis, e as duas lagunas que dão o nome da trilha. Esta trilha liga as duas montanhas, começa no Fitz Roy e termina no Torre, o tempo inteiro acompanhados dos picos nevados. Depois de mais de 2 horas de caminhada, chegamos ao meio da trilha Laguna Torre. Aproveitamos para descansar, comer um chocolate para dar um gás, pois deste ponto seriam mais alguns km de subida.

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Vista ao pico Fitz Roy da trilha Madre e Hija

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Vista ao pico Fitz Roy da trilha Madre e Hija

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Curtindo a nossa caminhada em meio a natureza

Descansados e motivados, seguimos até chegar na Laguna Torre. Os últimos metros são especialmente difíceis, mas quando se chega no topo, o sentimento de “eu consegui” junto com uma paisagem contemplada e conhecida por poucos, faz qualquer cansaço e sacrifício valerem a pena. A Laguna Torre com água verde, o Glacial Grande ao fundo, os icebergs que descolaram do gelo do glacial e que chegam até a beira da laguna, os picos da montanha Torre, indescritível.

Sentamos a beira da laguna, almoçamos, ficamos um tempo brincando com o gelo, tirando fotos, caminhando pelo lugar, contemplando aquele visual único. Foram 5 horas de caminhada até ali, e depois de umas 2 horas curtindo o lugar, era hora de voltar. A descida foi mais fácil e levou cerca de 3 horas.

A experiência foi única e incrível.

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Laguna Torre

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Pequenos icebergs provenientes do Glacial Grande, que desemboca na laguna

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Se divertindo com o gelo de centenas de anos do glaciar

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Hora de voltar

Quando fomos buscar nosso carro no estacionamento, encontramos um bilhetinho muito simpático perguntando sobre o nosso depósito de água do carro. Tivemos a oportunidade de conhecer a história de Llevados por el Viento, um casal, ele argentino e ela brasileira, que vivem viajando com um fusca e seu trailer. Não nos conhecemos pessoalmente, mas o mundo digital faz maravilhas, e pudemos trocar muitas informações e nos conhecer um pouco por internet. Para quem quiser conhecer um pouco a história deles, deixamos o link aqui.

Voltamos para o camping de El Chaltén, e para comemorar o feito dos últimos dois dias fomos jantar na La Cerveceria, uma cervejaria artesanal, que tem um Bier Garden e um cerveja muito boa. É possível fazer visitação na cervejaria e conhecer o processo de fabricação e quem vai tomar cerveja por lá, ganha pipoca para acompanhar. Outros lugares que comemos na cidade e podemos indicar é as maravilhosas empanadas do Che Empanada, uma lojinha pequena na rua principal da cidade, com as melhores empanadas que comemos na Argentina, e com preço bem razoável, e o Mitos, onde comemos uma pizza maravilhosa, o bar é muito aconchegante, pertinho do Che Empanada.

Buenos Aires: La Boca e o querido Caminito

By | Argentina | No Comments

Buenos Aires é uma capital bastante grande, com muitos passeios e atrações, mas possivelmente o Caminito, que fica no bairro La Boca, seja um dos lugares mais visitados e lembrados da cidade.

O bairro La Boca fica próximo ao Porto e foi habitada no seu início por estrangeiros que chegavam pelo porto para trabalhar, a sua maioria espanhóis e italianos. Possui duas principais atrações, o Estádio La Bombonera da equipe Boca Juniors, e a rua museu Caminito. Nem pense em ir para lá de carro, além de não ter quase estacionamentos, o transito por lá não é muito recomendável. Se pode chegar de ônibus, metro ou taxi. Outra coisa que vale a pena mencionar é que o bairro não é considerado muito seguro. Nós não sentimos muita insegurança, mas mais de uma pessoa nos aconselhou a ter cuidado e não andar com a câmera fotográfica na mão, mas como disse, não vimos nada, então é só não dar bobeira que está tranquilo, afinal o lugar está cheio de turistas.

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Lojas e casas nas cores do Boca Juniors

É só chegar na área turística para ver a muvuca de pessoas, vários bares, lojinhas de souvenir, artesanatos, e dançarinos de tango vestidos a caráter posando para fotos com os turistas. Muitas das casas são nas cores do Boca Juniors, amarelo e azul, e é possível ver várias estatuas em tamanho real do Maradona, do Messi e até o Papa.

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Messi e Tevez recebendo os turistas

Na nossa visita ao bairro resolvemos ir caminhando para conhecer um pouco mais que apenas os pontos turísticos, estávamos em San Telmo e foram 30 minutos até chegarmos na La Bombonera. O Estádio do Boca Juniors possui visitação guiada, para fazer a visitação ao estádio, reserve meio turno. A visitação dura 2 horas e custa 180 pesos argentinos. Começa no museu, depois passa pelos vestiários, arquibancadas e gramado. Ao longo do passeio é possível comer no bar e restaurante do estádio e a visitação termina na lojinha, que não vende só fardamentos mas tudo que se pode imaginar do time. É um passeio bem interessante pois além de explicar um pouco sobre a história do time e sua ligação com o bairro, o guia conta sobre as táticas de intimidação, e de como a bomboneira foi projetada para desestabilizar os jogadores dos times rivais.

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Em frente a La Bombonera com suas casas em azul e amarelo e comida de rua

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Depois de sairmos da Bomboneira, seguimos pelas ruas do bairro até chegar ao famoso Caminito.

O Caminito é uma rua museu, restaurado no fim da década de 50, adquiriu significado cultural pelo fato de ter inspirado a música do famoso tango Caminito, o terceiro mais importante do mundo. Além disso,  tem uma característica peculiar: as casas são construídas com tábuas de madeira, placas e telhas de metal e pintados com muitas cores. Isso porque, quando os estrangeiros que viviam ali construíam suas casas, usavas as tintas que sobravam dos navios do porto, onde muito trabalhavam, para pintá-las.

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Famosa esquina do Caminito, com seus turista, lojas e dançarinos de tango

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Dançarinos de tango

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Verdade seja dita, o Caminito é bem legal, colorido, mas nada mais é que um grande cortiço de puxadinhos, era um conjunto de moradias populares precárias, que caracterizou o bairro desde o seu início, e eles procuram manter este espírito até hoje, então não espere ver grandes construções luxuosas, ou uma arquitetura surpreendente. Porém, apesar de ter sido, e ainda ser, um bairro bastante simples da cidade de Buenos Aires, não espere encontrar as coisas baratas, principalmente na área do Caminito. Os muitos restaurante e bares com apresentações de tango ou de músicas ao vivo não são bastante caros, e se pode deixar muito dinheiro nas lojinhas, mas como bons viajantes, nós encontramos uma opção mais econômica de almoço nos afastando um pouco do burburinho.

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Rua com diversos artistas vendendo seu trabalho

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A atmosfera do lugar é encantadora, e o Camitito tem um charme bagunçado muito peculiar, são muitas cores, muita arte, muita música, muita cultura, muitos turistas, tudo junto e misturado, reserve pelo menos meio turno para conhecer o local. Apesar da muvuca, nos encantou as lojinhas, os quadros de artistas incríveis, a música tocada ao vivo, e a alegria de um povo que tenta atender todo o tipo de desejo dos turistas que passam por lá.

Parque Nacional Monte León

By | Argentina | One Comment

Monte León é um dos parque nacionais da patagônia argentina, localizado na Ruta 3, entre as cidades de Puerto San Julian e Rio Gallegos. Hoje é uma reserva nacional protegida, porém até o ano de 2000, ela foi uma estância de criação de ovelhas, convertendo-se em um parque nacional aberto ao público somente em 2006. A entrada é gratuita e o período indicado para visitação é de novembro a abril, por ser temporada de verão e o período onde se podem apreciar melhor a fauna e flora do local.

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Paisagem do Parque Nacional Monte León

Para chegar a Reserva é só seguir pela Ruta 3. A entrada para registro e orientações fica junto as casas da antiga estancia, primeira entrada para quem vem do norte. Lá fomos recebidos por um guarda parques que nos falou um pouco sobre o parque, nos deu mapas e nos alertou para algumas eventualidades, como locais com acesso restrito a determinados horários em função da marés e a possibilidade de cruzarmos com pumas, apesar de serem raros.  Junto a estrutura da antiga estancia, é possível visitar o galpão de antigo tosqueio das ovelhas, com um pequeno museu, com fotos e maquete da região. Também é possível se hospedar por lá. A reserva conta com uma hospedagem simples, para até 8 pessoas, em uma das casas da antiga estancia, de estilo inglês.

O local não tem nenhum tipo de transporte próprio, então este é um passeio para se fazer de carro, pois a reserva tem mais de 35km só de costa marítima, é muito chão de terra para se percorrer a pé.

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Nós fomos pela manhã, chegamos na recepção e depois de nos registrarmos e recebermos orientações e mapas, saímos de onde estávamos e seguimos mais 2km pela Ruta 3 na direção sul, onde existe a segunda entrada, essa para ingressar ao parque. Para quem vai visitar o parque vale ficar atento as entradas, porque não vimos ninguém que pudesse nos orientar na segunda entrada, apenas uma entrada livre, e o mapa e as informações que havíamos recebido teriam feito falta.

O parque não é tão famoso e conhecido, não tem muita estrutura para turistas, não recebem milhões de pessoas como outros da Argentina, e não ficamos sabendo de nenhum tour de agências de viagens para lá, é uma experiência de contato com a natureza pura. No dia que fomos, somente cruzamos com dois grupos de pessoas.

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Começamos a percorrer o caminho do parque e a primeira parada é uma trilha de 2 horas ida e volta, bem sinalizada, que leva até uma pinguineira, com mais de 60 mil pinguins de magalhães, a quarta mais importante do país. Nós tínhamos somente o dia para conhecer o parque e havíamos visitado a reserva de Punta Tombo nos dias anteriores, então optamos por não fazer a trilha. Seguimos a estrada de terra e ao longo do caminho vimos paisagens lindas, com formações incríveis, arenosas e de pedras claras. Passamos pela Isla de los Pajaros, uma ilha bastante próxima da costa e com uma quantidade enorme de pássaros e com diversas espécies. Logo em seguida se avista o Monte León, a formação que da nome ao parque, supostamente em forma de um leão, porém nós não conseguimos chegar nesse nível de abstração.

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Isla de los Pajaros com a antiga ponte, hoje fora de funcionamento

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Pequena quantidade de pássaros da ilha

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Chegamos até a costa. A reserva conta com algumas praias de pedras e conchas, e águas azuis e bastante cristalinas. Para ir caminhando de uma praia para outra deve se estar bastante atento aos horários da maré, a mesma sobe bastante rápido, e no seu máximo chega ao paredão depois da areia, e o único lugar para sair da praia é onde se deixa o carro, o que é bastante perigoso se você estiver muito longe. Próximo a essa primeira praia existe um camping rústico, com banheiro e parrijas, contudo não há energia elétrica nem banho. Ao lado da área de camping tem um café muito simples mas bem bonito, com algumas comidinhas, e com sorte wi-fi, mas vai depender do tempo.

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Costa e praias do parque

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Nós acabamos nos arrependendo de não termos nos programado para passar uma noite no camping, a tranquilidade do local, o som das ondas e a noite obviamente escura pela falta de luzes artificiais formam uma combinação perfeita.

As paisagens são de tirar o folego, apesar da água ser gelada, aproveitamos as praias, relaxamos ao sol, observamos muitos pássaros, guanacos, algumas flores. Acho que a atração principal de Monte León é suas paisagens e a harmonia com a natureza que se sente lá.

O site do parque nacional é http://www.monteleon-patagonia.com/

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18 aplicativos para quem vai viajar

By | Dicas | 2 Comments

A gente realmente gosta de guias e mapas impressos, poder tocar, rabiscar e marcar com post-its os livros, guias, revistas ou mapas, é um verdadeiro estudo sobre nossos destinos.

Mas não podemos negar que já se cansou de dizer que vivemos na era do digital, e na verdade que com os smartphones e tablets, as opções e quantidade de informações são gigantes, e podem ajudar muito um viajante no seu novo e desconhecido destino. Neste post vamos listar os aplicativos que estamos utilizando na nossa trip e por que estão nos ajudando muito no nosso dia a dia. Importante dizer, todos os aplicativos listados são gratuitos, então é baixar e aproveitar. Boa viagem!

1. HERE – Aplicativo de mapas com suporte off line, muito importante para quem está viajando fora do Brasil e não pode contar com 3G, se faz o download do pais que deseja e pronto. Muito bom para as estradas, um pouco desatualizado para dentro das cidades.

2. Google Maps – O clássico app de mapas da Google agora tem suporte off line, o usuário pode selecionar uma região e fazer o donwload do local. O tamanho da área que se pode baixar não é muito grande para quem está fazendo uma viagem de carro, mas cobre mais que qualquer cidade, então sempre temos a área da cidade que estamos para consultarmos off line.

3. Hostelbookers – Site de busca de hostel em um aplicativo.

4. Hostel World – Site de busca de hostel em um aplicativo.

5. Booking.com – Site de busca de hotel em um aplicativo.

6. Airbnb – Busca de casas ou quartos para alugar por temporada.

7. Couchsurfing – Comunidade de viajantes que hospedam outros viajantes em suas casas.

8. XE Currency – Aplicativo para acompanhar o cotação cambial de quase qualquer moedas. Nós olhamos todos os dias para acompanhar as moedas dos países que vamos passar e ver quando é melhor para trocar dinheiro e ter uma noção se o câmbio está junto. O app também mostra gráficos da variação monetária.

9. Google Drive – Tabelas de gastos, textos com planos de viagem, mapas com destinos e arquivos que precisaremos acessar em diferentes lugares tudo no mesmo aplicativo, e alguns podendo ser acessados mesmo no modo off line.

10. Google Tradutor – É uma pena que necessite de internet, mas poder ser útil para saber o que significa alguma palavra do menu no restaurante, ou em algum guia quando estiver no hotel.

11. Skyscanner – Busca de passagens aéreas. Buscamos passagens nos últimos dias e de fato encontramos os melhores preços nas buscas por nós mesmos, mas ajudou para saber de qual cidade seria mais barato voar.

12. Tripda – App para buscar ou oferecer carona por uma ajuda de custo para a gasolina.

13. BeepMe – App para buscar ou oferecer carona por uma ajuda de custo para a gasolina.

14 – Foursquare – Busca de dicas de onde comer, sair a noite, atividades da cidade e lugares para visitar.

15. Tripadvisor – Informações sobre os principais pontos turísticos da cidade, hoteis, restaurantes, etc. Existe a possibilidade de fazer o download das infos da cidade que se vai visitar.

16. Field Trip – Lista de lugares para visitar e atividades para fazer próximos de onde se está. Possui um mapa que ajuda na localização dos lugares que se vai visitar, infelizmente necessita de internet.

17. Snepseed – Aplicativo do Google para edição de fotos. Simples de usar e com uma qualidade muito superior que editar as fotos direto no Instagram ou no Facebook

18. Lightroom – Aplicativo da Adobe para edição de fotos. Simples de usar e com uma qualidade muito superior que editar as fotos direto no Instagram ou no Facebook

Santiago

By | Chile | One Comment

Nossa experiência em Santiago foi um pouco diferente das demais cidades que percorremos em nossa viagem de carro pela América do Sul, isto porque em Santiago deixamos de ser dois e passamos a ser quatro viajantes. Recebemos nossas primeiras visitas viajantes do projeto. Os pais do Luis programaram suas férias para passar uns dias com a gente.

Por sermos quatro pessoas, resolvemos alugar um apartamento para a semana que passamos na cidade, foi nossa primeira experiência no Arbnb. Logo de cara conhecemos o transito da cidade, intenso e estressante, pode-se perder muito tempo se você escolher ir ao mercado ou shopping na hora de pico, vivemos isso na pele algumas vezes.Santiago é uma capital com mais de 5 milhões de habitantes, com muitas atrações para conhecer e muita coisa para fazer, já que é a maior cidade chilena, polo industrial, financeiro e cultural.

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Ciclovia e riacho da Av. Bernardo O’Higgins, conhecida pelos santiaguinos como La Alameda

Assim que os pais do Luis chegaram, fomos fazer de cara o free tour da cidade que começa na praça de armas, com opções de dois horários: as 10:00h ou as 14:00h. Dura em média 3 horas de caminhada e o pagamento é na base da gorjeta. O free tour é sempre uma boa opção, pois além de dar um panorama dos principais pontos da cidade, se pode eleger os lugares de mais interesse para voltar nos próximos dias. Para quem está com um orçamento maior e não se anima em caminhar, existem os tour de ônibus, mas pessoalmente não somos muito fãs dessa modalidade, acreditamos que se perde muitos detalhes de arquitetura, cotidiano e das pessoas. Tivemos cinco dias de passeios na cidade com os pais do Luis, foi possível fazer tudo o que almejávamos, mas indicamos uma semana para quem quiser conhecer Santiago com calma e viver um pouco da cidade. Abaixo segue os lugares que visitamos e como foi cada experiência.

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Vista da torre do relógio do Museu Histórico Nacional

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Vista da janela da torre do Museu Histórico Nacional

A praça de armas é o coração da cidade, além da própria praça, aos arredores se encontra a catedral, a oficina de informações turísticas, o Museu de Arte Precolombino, o Museu Histórico Nacional (esse vale fazer o passeio guiado para subir até a torre do relógio, a vista da praça é incrível, e a história da sua construção também) e ao lado o prédio do Correio Nacional que é muito bonito. Caminhando um pouco mais de duas quadras também se encontram o prédio do antigo congresso e a Casa de la Moneda, que é a casa do governo chileno. Tudo isso fica no centro e é fácil de fazer a pé.

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Item do Museu Histórico Nacional

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Maquete do princípio da cidade de Santiago no Museu Histórico Nacional

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Interior da Catedral de Santiago

No Free tour passamos pelo bairro Lastarria, que possui ruas pequenas, casas encantadoras, restaurantes e cafés lindos, em que em um deles, na rua mesmo havia uma banda tocando um blues maravilhoso, com saxofones, e violões selo. Aos finais de semana existe uma feira de rua com muitos artesanatos diferentes, como quadros, livros, ilustrações, além dos artesanatos tradicionais de souvenir. Fica entre o Casa de la Moneda e o Cerro Santa Lucia.

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Prédio do antigo congresso

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Bolsa de Comércio na rua Nueva York

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Arquitetura do bairro Lastarria

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O mercado central foi um lugar que nos encantou, é possível ver vários tipos de peixes e mariscos, estando hospedado onde seja possível cozinhar vale muito a pena comprar alguns frutos do mar para preparar. Se não tiver como, ao menos comer em algum dos restaurantes de lá, não é a escolha mais econômica, mas com uma pesquisa de preços se consegue algum prato típico que caiba no bolso. Nossa dica para quem gosta de mariscos é provar o loco, marisco tradicional do Chile, que não é muito barato e está mais para uma entrada, ou então uma paila marina que vem com vários tipos de mariscos, ou ainda um pastel de jaiba, esse último é tipo um escondidinho de siri. Esses dois últimos são pratos completos e a preços mais econômicos.

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Faxada do Mercado Central de Santiago

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Pescados do mercado

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Paila marina que almoçamos no dia da visita ao mercado

Para ter uma bela vista do alto da cidade vale subir os 63 andares do Costanera Sky, a torre mais alta da América do Sul e que fica junto ao shopping Costanera Center, mas não precisa subir de escada não, o elevador não só é enorme, como é de alta velocidade, se sobem os 63 andares em um minuto. O ingresso para subir é de 5000 pesos chilenos e se pode ficar no mirador o tempo que quiser. Nós fomos um pouco antes do pôr do sol e acompanhamos o dia virar noite e o acender das luzes da cidade. Além de ter internet wiffi free para já ir postando as suas fotos, o mirador de 360 graus tem indicações do que se pode enxergar de cada ponto. É possível ver os dois cerros, o estádio, a cordilheira que fica bem pertinho da cidade e vários outros pontos da cidade. Também é possível usar os binóculos disponíveis de graça para observar a cidade bem mais de pertinho.

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A imponente torre do Sky Costanera

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Vista diurna da cidade de Santiago

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Por do sol de Santiago visto do mirador do Sky Costanera

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Vista noturna de Santiago

Nós ficamos hospedados no bairro Bellavista, bairro boêmio da capital chilena, e pudemos aproveitar bastante os bares da região para tomar uma cerveja, e também os drinks tradicionais do Chile, o Pisco Sour, Piscola e o Terremoto. As ruas principais do bairro são Pio Nono e Costituición, o primeiro com barres mais simples e mais baratos, o segundo mais chique e mais caros, e entre as duas ruas está o Pátio Bellavista, lindíssimo, mas um pouco caro, de qualquer maneira a visita é muito legal e de graça.

Também é no Bellavista que está uma das 3 casas do poeta Pablo Neruda, a La Chascona, uma casa que vislumbra a forma de um barco. O ingresso não é exatamente barato, custam 6.000 pesos chilenos por pessoa, cerca de R$35,00, mas para quem gosta do artista vale muito a pena. A visita é guiada por áudio guide, então se pode levar o tempo que quiser, fazer o passeio com calma e apreciar todos os detalhes, pois a casa tenta retratar fielmente a vida de Pablo Neruda. Quem coordenou a reconstrução e reorganização da casa para ficar tal qual era foi a ultima mulher do escritor. O acervo conta com muitos itens pessoais do mesmo. É a casa onde ele morou até a sua morte e tem uma história forte com o início da ditadura chilena, é uma pena não poder fotografar o interior da residência.

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Uma cerveja no Patio Bellavista, só uma, a segunda vai falir a sua viagem

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Topo da casa de Pablo Neruda, La Chascona

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Minha mãe e a Lê na escada do pátio da La Chascona

Santiago tem 2 morros, Cerro Santa Lucia no centro, com valor histórico fundamental na história do país, era um antigo forte, com um jardim projetado de tirar o folego, a subida até o ponto mais alto também é de tirar o folego, mas a vista compensa, esse passeio é de graça e não apenas para turistas, santiaguinos vão a este morro para relaxar, passear e tomar um sol. Se pode caminhar pelo antigo forte, os pórticos, as capelas e por quase todo o jardim que em sua época áurea proviam festas da alta sociedade, e que deveriam ser incríveis.

O outro Morro fica no bairro Bellavista e se chama Cerro San Cristoban, a subida é com um funicular, aqueles trenzinhos verticais que nos salvam em qualquer ladeira, e não é muito caro, mas pode-se subir a pé, ou de bike. Junto dele fica o Zoológico Nacional do Chile, um dos mais importantes da América do Sul, tem urso polar, pantera negra e tigre branco. Possui também a estátua de La Virgem, no topo, com 36mts de altura e que a noite, iluminada, pode ser vista de alguns pontos da cidade. Dizem ser o pôr do sol mais bonito de Santiago.

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Vista panorâmica do Cerro Santa Lucia

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Fortificação do Cerro Santa Lucia

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Artefatos do forte do Cerro Santa Lucia

Chile e vinho são uma ligação direta, então uma visita a uma vinícola é quase obrigatório, as duas principais são a famosa Concha y Toro e a Undurraga. Nós visitamos a Concha y Toro, o passeio dura 1 hora, é bastante comercial e custa 12.000 pesos chilenos por pessoa (R$70). A vinícola é afastada da cidade, mas tem como chegar de transporte público. Ganhamos uma taça da vinícola, e o passeio contempla a degustação de três vinho (meia taça de cada tipo de vinho), se conhece a antiga casa dos fundadores somente por fora, passamos pela parreira mais antiga da vinícola e fomos a uma das plantações com quatro espécies de uvas, que pudemos provar direto do pé. Conhecemos também as pipas e a famosa história e adega do Casillero del Diablo, que é o vinho mais conhecido e famoso da casa, porém não é o melhor e muito menos o mais caro. Por fim a visita termina na loja da vinícola, onde se podem comprar todos os vinhos produzidos pela Cocha y Toro, e vários souvenires. Os preços de lá são um pouquinho mais em conta que nos mercados e casas de vinhos. Pode-se fazer uma visitação com degustações de vinhos e queijos que aí sim, se degustam os melhores vinhos e para os entendidos deve ser uma experiência mais completa e bem menos comercial, visto que o valor é bem mais alto.

A Undurraga, é um pouco menos comercial, o passeio tradicional dura um pouco mais de 1h e custa 10,000 pesos chilenos (R$60). Também se ganha uma taça da casa e degustação de três vinhos, e existe a opção de passeio com degustação de queijos e vinhos finos.

Estes valores são dos ingressos direto nas vinícolas, como estávamos de carro fomos por conta, com agências de turismo o valor pode ser o dobro, pois as vinícolas não são centrais, são em localidades afastadas da cidade. Ainda assim, apesar de um pouco complicado, se pode chegar em ambas de transporte público.

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Visita a famosa vinícola Concha y Toro

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Vinhas da Concha y Toro

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Um cacho a menos para virar vinho

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Adega da nossa casa…quem me dera

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Famosa adega da lenda do Casillero del Diablo

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A parte boa, beber o vinho!

Um bairro que adoramos foi Paris-Londres, com ruas estreitas e de pedras, possui um ar completamente diferente do resto da cidade, um ar de uma pequena cidade européia. Pequeno e com alguns bares e restaurantes abertos até a noite, é um bom lugar para se hospedar. No bairro também existe um museu sobre a época da ditadura, o Londres 38, localizado na rua Londres e no número 38, essa casa foi usada pelos militares para tortura, com um clima pesado, é uma importante visita para conhecer esse passado escuro da história do país. Para quem espera ver peças de museu, não vai encontrar, a casa é basicamente vazia e conservada tal qual era, com alguns depoimentos em vídeos, fotos, e cartazes da época. A entrada é gratuita, mas é para quem tem estômago forte.

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Cajon Del Maipo foi uma dica dos nossos amigos Gabi e Lucas que tem o belíssimo projeto Mundo a Volta. O lugar é um pouco mais distante e por isso muitos acabam não indo ou nem sabendo que existe. Dá para chegar lá de carro, ou com tour por 40.000 pesos. Se você quiser ir de carro como fomos, é importante saber que a maior parte do caminho é pavimentado, porém os últimos quilômetros o caminho é de terra e bem ruim, com pedras e buracos, e próximo ao Embase del Yeso a estrada fica bastante estreita, com muitos pontos onde passam apenas um carro, e possui um forte trafego de caminhões, então se você for de carro, é tranquilo, mas vá com calma. O caminho não é muito sinalizado, mas com um mapa e perguntando você chega lá.

Cajon del Maipo é um cânion andino, pertinho do vulcão Tupungato onde está o Embalse del Yeso, uma grande reserva de água potável que abastece a cidade de Santiago, além de algumas termas, entre elas as Termas Valle da Colina, Morales e as Termas del Plomo. O lugar é impressionante. Nós fizemos um passeio de um dia, mas quem tiver tempo, pode acampar nas termas, ou no pequeno povoado San José del Maipo e fazer os trekkings da região, além de cavalgadas e esportes radicais aquáticos.

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As águas azuis e cristalinas do Embase de Yeso com a cordilheira nevada ao fundo, belíssimo

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Família reunida no Embase de Yeso

Outro lugar que vale muito a pena visitar é o Valle Nevado, contando que ele esteja com neve. No período que passamos em Santiago, o Valle Nevado não estava nevado, pelo fato de ter sido o verão mais quente dos últimos anos, e também porque nos verões a estação de esqui fecha, então, como não tinha neve, decidimos não ir, porém se você for em um período mais frio, vale a visita na estação de esqui, que é bem famosa. Pode-se ir de carro, ou também contratar tours das agências. O local tem restaurantes, hotéis, e uma boa estrutura para receber os turistas.

Um dica importante para fechar o post é sobre câmbio. Na cidade vai encontrar casas de câmbio em muitos lugares, mas sem dúvida o melhor lugar para ir é a Calle Agustinas, com uma concentração muito grande de casas de câmbio fica fácil de fazer a pesquisa pela melhor cotação. A rua fica localizada bem no centro, perto da praça de armas, bem fácil de ir.

Vida viajeira e vaidade combinam?

By | Vida de viajante | One Comment

Muita coisa mudou!

 

Quando se está viajando a baixo custo e por um período maior, nós mudamos a percepção de algumas coisas e passamos a dar valor para coisas um pouquinho diferentes. A mudança ela não vem de um dia para o outro, ela é gradual, dia após dia você vai percebendo que manter certos costumes e manias são complicados e algumas vezes insustentáveis.

A primeira coisa que eu sabia que iria se passar e que eu já estava bem preparada eram as mãos. Unhas longas e feitas impecavelmente é um luxo que eu só me dei na época da faculdade, quando tinha tempo e paciência para pensar nisso, mas neste estilo de vida “on the road”, é impossível ter unhas um pouco compridas, chega a ser nojento e um pouco perigoso. Depois as sapatilhas bonitinhas e as botinhas vão dando lugar aos tênis de trekking, as havaianas (habemus havaianas) e as alpargatas, as roupas ficam bem repetitivas, os acessórios diminuem até se restringirem a um brinco pequeno, anéis confortáveis e um colar “da sorte” que você usa todos os dias, até o momento que você quase não usa mais maquiagem.

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Bom, se deparar com seu rosto sem maquiagem, com sardinhas, algumas ruguinhas tímidas e marcas de expressão, talvez nas primeiras vezes fazem repensar no estilo de vida viageiro que optamos, mas conforme vão passando os dias e você vai conhecendo pessoas incríveis, lugares indescritíveis e passando por experiências tão enriquecedoras e superadoras, passamos a perceber que este rosto que eu vejo agora, é uma face tão melhor, tão real, tão mais limpa, tão mais viva e cheia de significado, cada marca de expressão é por uma risada, cada sarda é por um dia lindo de sol, cada bolha no pé é por uma trilha que me fez caminhar por horas para chegar em um lugar incrível que quase ninguém chegou, mas que cheguei, eu estava lá, e eu vi.

Eu não perdi a vaidade, tenho meus vestidinhos fofos, minhas maquiagem, cremes, muitos brincos, colares, e uso eles. Apenas lembro com pena de mim mesma que me cobrava certos comportamentos padrões e de quando acordava com muita renite alérgica e usava base, pó, rímel, imaginem, em prol de uma boa imagem (claro que aquilo tudo escorria ao longo do dia, e ficava um caos, mais alergia, mais espirros). Neste momento, que estou em uma casa na praia de Punta Hermosa, ao sul de Lima no Peru, escrevendo em uma sala de frente para o mar, estou bem arrumada, com uma camisa floral que combina com o jeans, e que recebe um acento perfeito com o casaco chumbo que me afina a silhueta. Eu estudei e trabalhei com moda a vida toda, e sim, neste mercado a aparecia é importante, e que eu tenho uma vaidade com referências simples e um pouco atemporais, o que diz muito sobre a minha pessoa. Gosto de dizer que curto uma roupa de vó, adoro um camisa com laço, ou algum frufru, um blazer, um jeans azul bem tradicional e uma sapatilha de bico fino sem salto.

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Mas percebi que existem situações que a simplicidade de uma cara lavada, um calça larga e uma camiseta dizem muito mais para a gente o que de fato importa naquele momento. Nunca, repito, nunca consegui entender como passar frio em troca de um look suuuuper cool é melhor do que estar quente. Se eu saio de casa com frio, fico mal humorada, e só consigo pensar em voltar para colocar um meião e tomar um chá quente. O fato é que a vaidade deve ser leve, adicional, orgânica, e não uma obrigação. É algo que a gente faz para a gente e não por obrigação para os outros. É preciso perceber a beleza da cara lavada, dos limites do conforto e bem estar do corpo, das marcas de história que a vida vai dando para a gente.

Saindo do oásis de Huacachina, na vinda para Lima, me percebi olhando meu reflexo no espelho, completamente sem maquiagem, e tenho que dizer que eu fiquei muito feliz com a beleza que eu vi no meu rosto, tenho 30 anos, mas naquele momento eu parecia uma menina, com os cílios clarinhos e espaçados, as sardas todas aparentes, os olhos como duas bolitas marrons, sem contornos, e a boca, cor de boca, meio tortinha como ela é.

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A liberdade do mundo e a vaidade da real beleza