Salar de Uyuni, o deserto de sal

By | Bolívia, Chile | 4 Comments

O Salar de Uyuni é um passeio lindo e que se pode fazer de várias formas, nós optamos em fazer o passeio saindo de San Pedro do Atacama no Chile. Contratamos o passeio de ida e volta com uma das muitas agências da cidade, que durou três noites e quatro dias, porém você pode contratar o passeio somente de ida, que dura duas noites e três dias e termina na cidade de Uyuni, na Bolívia. É possível contratar este mesmo passeio se você estiver na cidade de Uyuni, na Bolívia e também terminar em San Pedro do Atacama ou voltar a Uyuni.

O passeio nos custou 115.000 pesos chilenos negociados, pois eramos três, a mãe do Luis fez o passeio com a gente. O passeio inclui hospedagem e refeições, vale a pena passar em algumas das mais de 70 agências de viagens de San Pedro e conversar, negociar o preço, ver o que os passeios oferecem. O passeio que nós contratamos, assim como a maioria, não inclui as entradas nas atrações bolivianas. Nós levamos 630 bolivianos por pessoa, o que foi suficiente para as entradas e algumas comprinhas (coisa pouca gente, se você é do tipo de compra lembrancinha pra toda a família, leve mais dinheiro). Trocamos bolivianos direto com a agência que nos vendeu o passeio em San Pedro de Atacama, e a cotação foi bem justa.

É importante dizer que você precisa se desapegar muito de qualquer luxo e não pode ter nenhuma frescura se for fazer este passeio com as agências tradicionais, por isso aviso que não é um passeio para qualquer.

Arrumamos nossos mochilões para 4 dias. Roupas de frio, remédios, baterias reservas para as câmeras carregadas, protetor solar, alguns snaks, frutas e 6 litros de água potável por pessoa. As agências chilenas indicam aos turistas não tomar a água boliviana. Não chegamos nem perto de consumir os 6 litros personal, mas água nunca é demais.

A van da agência passou para nos buscar as 7h da manhã, e as 8h já estávamos na aduana chilena fazendo todos os trâmites para a saída do país. Não adianta muito você chegar antes, a aduana abre as 8h mesmo. De lá seguimos para a aduana boliviana. Um lugar sem estrutura, assim é a aduana boliviana. Sem banheiros e não possui nenhum sistema computadorizado para o registro das pessoas, apenas uma casinha pequena, no meio do nada, com duas pessoas com cara de poucos amigos, uma situação bem precária. Mas entramos na Bolívia, e ao lado da aduana, no meio da areia, estavam os nossos carros nos esperando. Eram cerca de 20 carros esperando pelos seus passageiros. Caminhonetes 4×4 com espaço natural para 6 pessoas mais o motorista, No porta-malas iam as comidas dos nossos dias no passeio e as águas de todos os passageiros. Nós eramos em 5 mais o chofer, fizemos um tour com um casal de Israelenses.

Bom, o passeio de Uyuni é uma caixinha de surpresas e você pode ter muita sorte ou muito azar. Vai depender do seu chofer, dos seus colegas de tour, das hospedagens e um pouquinho do clima. Não podemos dizer que tivemos sorte, mas também não tivemos azar, nosso motorista teve seus altos e baixos, e o casal que dividíamos o tour não tinham grandes problemas, mas as vezes eram bem inconvenientes.

E a aventura começou.

Aduana Boliviana

Aduana Boliviana

 

DIA 1:

A primeira coisa é a entrada do parque onde o tour acontece, esse valor não estava incluído no valor do tour, e necessitou descermos do carro, cadastrar as nossas entradas e pagar os 150 bolivianos que vale o ingresso

Laguna Verde

 

Que não estava tão verde assim, vimos as lagunas do deserto muito secas, e como o guia nos comentou, muitas já nem existem mais, e a laguna verde não estava nem perto do seu esplendor, por falta de chuvas e falta de sol, o tempo estava um pouco nublado no dia, e por isso ela não se apresentava verde e linda.

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Laguna Branca

Esta sim, estava muito bonita, a composição da paisagem é bem legal e a laguna estava congelada em alguns pontos, mas o chofer também nos falou que ela não estava no seu melhor momento, e bem abaixo do seu nível normal.

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Águas Termais

Estava frio, mas mesmo assim tomamos coragem de tirar a roupa e entrar nas águas termais, que estavam bem quentinhas, foi uma delícia. Custaram 6 bolivianos. Você vai encontrar uma estrutura mínima neste lugar. O banheiro é seco como eles falam, sem água e com cinzas levemente perfumadas para tapar as suas necessidades, e o espaço para trocar de roupas é minúsculo, mesmo dividido em feminino e masculino, todo mundo fica meio junto, não dá para ter frescura nem vergonha, mesmo assim valeu muto a sensação de estar em águas termais no meio de uma paisagem linda do deserto.

 

 

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Deserto do Dalí

Este lugar é bem abstrato, são pedras vulcânicas em formatos peculiares que lembram de fato o Deserto que Dalí retratou em alguns quadros. Observamos o deserto de longe, não chegamos perto e nem andamos por ele. O motorista tentou nos mostrar supostas formas de animais mas pedras, mas não conseguimos ter a mente tão aberta assim.

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Laguna Colorada

Talvez este tenha sido o ponto alto do dia, vimos o pôr do sol na laguna que é rosada e cheia de flamingos. Neste momento a altitude já estava incomodando, mas, mesmo assim, caminhamos pelo entorno da laguna, tiramos fotos e aproveitamos o visual enquanto o sol se ia.

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Hospedagem primeiro dia

Depois das paisagens lindas que vimos, fomos para a nossa hospedagem, que era muito simples e com os padrões de higiene e limpeza muito diferentes dos que somos acostumados (o lugas era sujinho mesmo, e tinha até um camundongo no quarto). A Letícia começou a sentir mais os efeitos da altitude e teve dificuldades em dormir. A comida, tanto de almoço como janta estavam boas e abundantes, junto com o café da manha, estas foram as três refeições do dia fornecidas pelo tour, então se você é acostumado a comer de 3 em 3 horas, leve comida. Nosso chofer pareceu sentir bastante os efeitos da altitude durante o dia ou estava doente, pois mascava bastante folhas de coca e sempre que parávamos molhava o rosto. Os chofers não são guias de turismo, não espere todas as explicações e a maior animação do mundo deles, mas eles sempre contam um pouco do lugar, apesar de alguns informações não virem 100% corretas.

Por do Sol

Por do Sol da primeira noite

 

DIA 2:

No segundo dia levantamos cedo e então nos damos conta que tínhamos esquecido o tripé na Laguna Colorada. Nos conformamos com a perda, mas pedimos para nosso chofer se poderíamos voltar lá para procurar, visto que a hospedagem que ficamos era perto da laguna, e ele topou numa boa. Fomos de manha cedinho de volta para a Laguna Colorada, encontramos o tripé no mesmo lugar que deixamos, mais flamingos, água mais vermelha, menos turistas e um visual mais lindo ainda. Tripé recuperado, seguimos viajem. As paisagens são bem diferentes e improváveis.

 

Geisers vulcão Ollague

O motorista falou que é a boca do vulcão, mas na verdade não sabemos bem o que é, pois parecem geisers. A terra borbulha e na cratera sai muita fumaça e um cheiro forte de enxofre. Só posso dizer que foi mágico ver a força que a natureza tem, e nos sentimos muito felizes em poder apreciar lugares assim.

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Arvore de pedra

É uma formação vulcânica que parece ser uma árvore, ela fica junto a outras formações distintas também de origem vulcânica, o lugar é bem legal, e quem for mais aventureiro pode se arriscar a subir algumas delas, que são bem altas, e do topo ter uma vista impressionante de toda a área.

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Vista do topo de uma das formações rochosas

 

Passamos por lhamas, vicunhas, alpacas, povoados minúsculos, paisagens lindas e no fim do dia chegamos a nossa segunda hospedagem, um hotel de sal. Sim, as paredes eram blocos de sal compacto, o chão era sal e nossas camas eram feitas de sal. Foi simplesmente incrível. Esta hospedagem era bem melhor que a primeira, mais limpa e organizada, porém era preciso pagar para tomar banho, O banho quente custou 10 bolivianos e o tempo era de 5 min. Neste dia, nosso Chofer parecia melhor, mais animado e conversava mais conosco.

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DIA 3:

No terceiro dia os planos eram de tomar café da manha as 4h30 para sairmos as 5h para ver o nascer do sol do deserto de sal, porém o nosso chofer não acordou. Não sabemos o que aconteceu, mas ele estava dormindo dentro do carro e haviam latas de cerveja por lá. Quando ele finalmente estava pronto não encontrava seu celular, fomos até uma casa no povoado, voltamos a hospedagem e nada do celular, já estava amanhecendo quando saímos da hospedagem para o deserto de sal e perdemos o nascer do sol, que dizem ser lindo.

O que não perdemos no terceiro dia.

 

Ilha dos pescadores

Uma ilha de terra em meio ao mar de sal, cheia de cactos gigantes. Custam 60 bolivianos a entrada e vale a pena, além da vista para a imensidão branca do deserto de sal, vimos cactos de 10 metros de altura.

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Deserto de Sal

É muito sal, uma imensidão de sal, é demais. Só as fotos podem dar uma leve ideia do que é o lugar. Fotos sem perspectiva de profundidade que causam confusão no que olhamos e uma planície de sal de perder de vista. Esse é o ponto que todos esperam desse tour.

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Hotel de Sal museu

Este lugar é o primeiro hotel de sal da região, que hoje além de ser caríssimo, é um tipo de museu. Mais interessante que o museu, que deixou um pouco a desejar, é uma plataforma de sal cheia de bandeiras, ficamos um tempão ali vendo que bandeiras haviam, claro que achamos uma do Brasil, mas ficamos surpresos de ver uma do Rio Grande do Sul. A frente do Hotel está um toten gigante do Rally Dakar, construído na época que a competição foi realizada da região.

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O povoado das lembrancinhas

Saindo do deserto de sal, mas antes de chegar a cidade de Uyuni passamos por um pequeno povoado focado completamente em vendas de lembrancinhas se sal. Lá encontramos copos de shots de sal, cinzeiros de sal, chaveiros de sal, enfeites de sal, bonecos de sal, e mais o que puder imaginar.

Os carros de transporte e as tendas de artesanias dos povoados, não aceitam cartão viu?!

Os carros de transporte e as tendas de artesanias, não aceitam cartão viu?!

Muitas tendinhas de lembrancinhas e artesanias nos povoados que se passa.

Muitas tendinhas de lembrancinhas e artesanias de sal

Cemitérios de Trens

O local, já chegando na cidade e Uyuni, é onde ficam os trens antigos usados para transporte de pessoas e cargas das minas da região. Não espere ver os trens mais antigos do mundo, os trens de la são da década de 70, mas o lugar rende fotos legais e um visual bem bacana.

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Logo chegamos a Uyuni onde termina o passeio e trocamos de motorista para somente voltar. O terceiro dia foi bastante tenso, nosso Chofer estava tão cansado que dormia no volante, tínhamos que ficar conversando com ele o tempo todo. Também ficamos frustrados pois não passamos pelos Montones de sal, que são formações piramidais no sal que ficam em uma região específica do salar por onde os tour passam, isso porque como o nosso motorista não acordou pela manhã ele teve que compensar para não chegar muito depois dos outros carros, pagamos pelo erro dele, mas como o motora estava quase dormindo na direção, nós queríamos mais era chegar mesmo.

A volta seria somente volta, em teoria se troca de motorista para a volta a San Pedro de Atacama, assim um novo motorista pega um novo tour na volta a Uyuni, mas não foi tão simples. Mesmo quase dormindo enquanto dirigia, o motorista que nos trouxe queria nos levar de volta, e nós sabíamos que isso era porque ele queria tentar resgatar o celular perdido. Depois de nos negarmos a voltar com ele na frente de quem estava na agência, pois não eramos loucos e queríamos chegar vivos, nos trocaram de motorista e assim pudemos voltar. Saímos de Uyuni para uma cidade pequena, onde ficamos hospedados em uma acomodação bem simples.

 

DIA 4:

A volta. No dia seguinte saímos as 4:30 da manhã para San Pedro do Atacama. Mas a natureza é linda e generosa e nos compensou com neve. Siiiim, é verdade, nos vimos neve no deserto do Atacama, foi mágico. Chegamos na aduana boliviana e tivemos que esperar horas para as vans conseguirem chegar de San Pedro, pois a estrada estava fechada por causa da neve, foi lindo.

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Como resumo, podemos dizer que é um passeio único, que é muito importante se informar bem sobre os passeios e que muito vai depender do motorista e das companhias de viagens que você tiver. Existem alguns passeios mais exclusivos, que sabemos muito pouco, também vimos dois carros fazendo o passeio por conta, sem tour. Não existem estradas no deserto e a localização dos lugares se dá pela experiência do motorista ou bons GPS e pessoas que sabem usa-lo.

A situação mais desagradável que passamos, e que infelizmente temos que reportar aqui, é que no momento de carimbar o passaporte para sair da Bolívia o oficial da aduana estava cobrando 20 bolivianos por pessoa, um absurdo, afinal em nenhuma aduana do mundo se cobra para sair, mas quando questionamos quanto a isso a única resposta firme e seca que recebemos foi “aqui se cobra”. Como estávamos com a a mãe do Luis e por sorte tínhamos os 60 bolivianos para pagar para nós 3, não complicamos, mas houve quem não teve tanta sorte, afinal ao sair de um país se guarda moeda local. Ficamos extremamente incomodados com a situação, não pelo valor, pois o que pagamos seria equivalente a apenas R$10 por pessoa, mas pela atitude de corrupção, que foi a primeira que enfrentemos na viagem.

Mas no final de contas, vimos as paisagens mais improváveis, e definitivamente valeu a pena cada situação.

 

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As cores e paisagens mais improváveis

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Laguna altiplanica

 

Santiago

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Nossa experiência em Santiago foi um pouco diferente das demais cidades que percorremos em nossa viagem de carro pela América do Sul, isto porque em Santiago deixamos de ser dois e passamos a ser quatro viajantes. Recebemos nossas primeiras visitas viajantes do projeto. Os pais do Luis programaram suas férias para passar uns dias com a gente.

Por sermos quatro pessoas, resolvemos alugar um apartamento para a semana que passamos na cidade, foi nossa primeira experiência no Arbnb. Logo de cara conhecemos o transito da cidade, intenso e estressante, pode-se perder muito tempo se você escolher ir ao mercado ou shopping na hora de pico, vivemos isso na pele algumas vezes.Santiago é uma capital com mais de 5 milhões de habitantes, com muitas atrações para conhecer e muita coisa para fazer, já que é a maior cidade chilena, polo industrial, financeiro e cultural.

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Ciclovia e riacho da Av. Bernardo O’Higgins, conhecida pelos santiaguinos como La Alameda

Assim que os pais do Luis chegaram, fomos fazer de cara o free tour da cidade que começa na praça de armas, com opções de dois horários: as 10:00h ou as 14:00h. Dura em média 3 horas de caminhada e o pagamento é na base da gorjeta. O free tour é sempre uma boa opção, pois além de dar um panorama dos principais pontos da cidade, se pode eleger os lugares de mais interesse para voltar nos próximos dias. Para quem está com um orçamento maior e não se anima em caminhar, existem os tour de ônibus, mas pessoalmente não somos muito fãs dessa modalidade, acreditamos que se perde muitos detalhes de arquitetura, cotidiano e das pessoas. Tivemos cinco dias de passeios na cidade com os pais do Luis, foi possível fazer tudo o que almejávamos, mas indicamos uma semana para quem quiser conhecer Santiago com calma e viver um pouco da cidade. Abaixo segue os lugares que visitamos e como foi cada experiência.

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Vista da torre do relógio do Museu Histórico Nacional

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Vista da janela da torre do Museu Histórico Nacional

A praça de armas é o coração da cidade, além da própria praça, aos arredores se encontra a catedral, a oficina de informações turísticas, o Museu de Arte Precolombino, o Museu Histórico Nacional (esse vale fazer o passeio guiado para subir até a torre do relógio, a vista da praça é incrível, e a história da sua construção também) e ao lado o prédio do Correio Nacional que é muito bonito. Caminhando um pouco mais de duas quadras também se encontram o prédio do antigo congresso e a Casa de la Moneda, que é a casa do governo chileno. Tudo isso fica no centro e é fácil de fazer a pé.

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Item do Museu Histórico Nacional

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Maquete do princípio da cidade de Santiago no Museu Histórico Nacional

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Interior da Catedral de Santiago

No Free tour passamos pelo bairro Lastarria, que possui ruas pequenas, casas encantadoras, restaurantes e cafés lindos, em que em um deles, na rua mesmo havia uma banda tocando um blues maravilhoso, com saxofones, e violões selo. Aos finais de semana existe uma feira de rua com muitos artesanatos diferentes, como quadros, livros, ilustrações, além dos artesanatos tradicionais de souvenir. Fica entre o Casa de la Moneda e o Cerro Santa Lucia.

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Prédio do antigo congresso

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Bolsa de Comércio na rua Nueva York

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Arquitetura do bairro Lastarria

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O mercado central foi um lugar que nos encantou, é possível ver vários tipos de peixes e mariscos, estando hospedado onde seja possível cozinhar vale muito a pena comprar alguns frutos do mar para preparar. Se não tiver como, ao menos comer em algum dos restaurantes de lá, não é a escolha mais econômica, mas com uma pesquisa de preços se consegue algum prato típico que caiba no bolso. Nossa dica para quem gosta de mariscos é provar o loco, marisco tradicional do Chile, que não é muito barato e está mais para uma entrada, ou então uma paila marina que vem com vários tipos de mariscos, ou ainda um pastel de jaiba, esse último é tipo um escondidinho de siri. Esses dois últimos são pratos completos e a preços mais econômicos.

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Faxada do Mercado Central de Santiago

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Pescados do mercado

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Paila marina que almoçamos no dia da visita ao mercado

Para ter uma bela vista do alto da cidade vale subir os 63 andares do Costanera Sky, a torre mais alta da América do Sul e que fica junto ao shopping Costanera Center, mas não precisa subir de escada não, o elevador não só é enorme, como é de alta velocidade, se sobem os 63 andares em um minuto. O ingresso para subir é de 5000 pesos chilenos e se pode ficar no mirador o tempo que quiser. Nós fomos um pouco antes do pôr do sol e acompanhamos o dia virar noite e o acender das luzes da cidade. Além de ter internet wiffi free para já ir postando as suas fotos, o mirador de 360 graus tem indicações do que se pode enxergar de cada ponto. É possível ver os dois cerros, o estádio, a cordilheira que fica bem pertinho da cidade e vários outros pontos da cidade. Também é possível usar os binóculos disponíveis de graça para observar a cidade bem mais de pertinho.

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A imponente torre do Sky Costanera

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Vista diurna da cidade de Santiago

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Por do sol de Santiago visto do mirador do Sky Costanera

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Vista noturna de Santiago

Nós ficamos hospedados no bairro Bellavista, bairro boêmio da capital chilena, e pudemos aproveitar bastante os bares da região para tomar uma cerveja, e também os drinks tradicionais do Chile, o Pisco Sour, Piscola e o Terremoto. As ruas principais do bairro são Pio Nono e Costituición, o primeiro com barres mais simples e mais baratos, o segundo mais chique e mais caros, e entre as duas ruas está o Pátio Bellavista, lindíssimo, mas um pouco caro, de qualquer maneira a visita é muito legal e de graça.

Também é no Bellavista que está uma das 3 casas do poeta Pablo Neruda, a La Chascona, uma casa que vislumbra a forma de um barco. O ingresso não é exatamente barato, custam 6.000 pesos chilenos por pessoa, cerca de R$35,00, mas para quem gosta do artista vale muito a pena. A visita é guiada por áudio guide, então se pode levar o tempo que quiser, fazer o passeio com calma e apreciar todos os detalhes, pois a casa tenta retratar fielmente a vida de Pablo Neruda. Quem coordenou a reconstrução e reorganização da casa para ficar tal qual era foi a ultima mulher do escritor. O acervo conta com muitos itens pessoais do mesmo. É a casa onde ele morou até a sua morte e tem uma história forte com o início da ditadura chilena, é uma pena não poder fotografar o interior da residência.

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Uma cerveja no Patio Bellavista, só uma, a segunda vai falir a sua viagem

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Topo da casa de Pablo Neruda, La Chascona

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Minha mãe e a Lê na escada do pátio da La Chascona

Santiago tem 2 morros, Cerro Santa Lucia no centro, com valor histórico fundamental na história do país, era um antigo forte, com um jardim projetado de tirar o folego, a subida até o ponto mais alto também é de tirar o folego, mas a vista compensa, esse passeio é de graça e não apenas para turistas, santiaguinos vão a este morro para relaxar, passear e tomar um sol. Se pode caminhar pelo antigo forte, os pórticos, as capelas e por quase todo o jardim que em sua época áurea proviam festas da alta sociedade, e que deveriam ser incríveis.

O outro Morro fica no bairro Bellavista e se chama Cerro San Cristoban, a subida é com um funicular, aqueles trenzinhos verticais que nos salvam em qualquer ladeira, e não é muito caro, mas pode-se subir a pé, ou de bike. Junto dele fica o Zoológico Nacional do Chile, um dos mais importantes da América do Sul, tem urso polar, pantera negra e tigre branco. Possui também a estátua de La Virgem, no topo, com 36mts de altura e que a noite, iluminada, pode ser vista de alguns pontos da cidade. Dizem ser o pôr do sol mais bonito de Santiago.

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Vista panorâmica do Cerro Santa Lucia

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Fortificação do Cerro Santa Lucia

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Artefatos do forte do Cerro Santa Lucia

Chile e vinho são uma ligação direta, então uma visita a uma vinícola é quase obrigatório, as duas principais são a famosa Concha y Toro e a Undurraga. Nós visitamos a Concha y Toro, o passeio dura 1 hora, é bastante comercial e custa 12.000 pesos chilenos por pessoa (R$70). A vinícola é afastada da cidade, mas tem como chegar de transporte público. Ganhamos uma taça da vinícola, e o passeio contempla a degustação de três vinho (meia taça de cada tipo de vinho), se conhece a antiga casa dos fundadores somente por fora, passamos pela parreira mais antiga da vinícola e fomos a uma das plantações com quatro espécies de uvas, que pudemos provar direto do pé. Conhecemos também as pipas e a famosa história e adega do Casillero del Diablo, que é o vinho mais conhecido e famoso da casa, porém não é o melhor e muito menos o mais caro. Por fim a visita termina na loja da vinícola, onde se podem comprar todos os vinhos produzidos pela Cocha y Toro, e vários souvenires. Os preços de lá são um pouquinho mais em conta que nos mercados e casas de vinhos. Pode-se fazer uma visitação com degustações de vinhos e queijos que aí sim, se degustam os melhores vinhos e para os entendidos deve ser uma experiência mais completa e bem menos comercial, visto que o valor é bem mais alto.

A Undurraga, é um pouco menos comercial, o passeio tradicional dura um pouco mais de 1h e custa 10,000 pesos chilenos (R$60). Também se ganha uma taça da casa e degustação de três vinhos, e existe a opção de passeio com degustação de queijos e vinhos finos.

Estes valores são dos ingressos direto nas vinícolas, como estávamos de carro fomos por conta, com agências de turismo o valor pode ser o dobro, pois as vinícolas não são centrais, são em localidades afastadas da cidade. Ainda assim, apesar de um pouco complicado, se pode chegar em ambas de transporte público.

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Visita a famosa vinícola Concha y Toro

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Vinhas da Concha y Toro

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Um cacho a menos para virar vinho

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Adega da nossa casa…quem me dera

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Famosa adega da lenda do Casillero del Diablo

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A parte boa, beber o vinho!

Um bairro que adoramos foi Paris-Londres, com ruas estreitas e de pedras, possui um ar completamente diferente do resto da cidade, um ar de uma pequena cidade européia. Pequeno e com alguns bares e restaurantes abertos até a noite, é um bom lugar para se hospedar. No bairro também existe um museu sobre a época da ditadura, o Londres 38, localizado na rua Londres e no número 38, essa casa foi usada pelos militares para tortura, com um clima pesado, é uma importante visita para conhecer esse passado escuro da história do país. Para quem espera ver peças de museu, não vai encontrar, a casa é basicamente vazia e conservada tal qual era, com alguns depoimentos em vídeos, fotos, e cartazes da época. A entrada é gratuita, mas é para quem tem estômago forte.

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Cajon Del Maipo foi uma dica dos nossos amigos Gabi e Lucas que tem o belíssimo projeto Mundo a Volta. O lugar é um pouco mais distante e por isso muitos acabam não indo ou nem sabendo que existe. Dá para chegar lá de carro, ou com tour por 40.000 pesos. Se você quiser ir de carro como fomos, é importante saber que a maior parte do caminho é pavimentado, porém os últimos quilômetros o caminho é de terra e bem ruim, com pedras e buracos, e próximo ao Embase del Yeso a estrada fica bastante estreita, com muitos pontos onde passam apenas um carro, e possui um forte trafego de caminhões, então se você for de carro, é tranquilo, mas vá com calma. O caminho não é muito sinalizado, mas com um mapa e perguntando você chega lá.

Cajon del Maipo é um cânion andino, pertinho do vulcão Tupungato onde está o Embalse del Yeso, uma grande reserva de água potável que abastece a cidade de Santiago, além de algumas termas, entre elas as Termas Valle da Colina, Morales e as Termas del Plomo. O lugar é impressionante. Nós fizemos um passeio de um dia, mas quem tiver tempo, pode acampar nas termas, ou no pequeno povoado San José del Maipo e fazer os trekkings da região, além de cavalgadas e esportes radicais aquáticos.

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As águas azuis e cristalinas do Embase de Yeso com a cordilheira nevada ao fundo, belíssimo

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Família reunida no Embase de Yeso

Outro lugar que vale muito a pena visitar é o Valle Nevado, contando que ele esteja com neve. No período que passamos em Santiago, o Valle Nevado não estava nevado, pelo fato de ter sido o verão mais quente dos últimos anos, e também porque nos verões a estação de esqui fecha, então, como não tinha neve, decidimos não ir, porém se você for em um período mais frio, vale a visita na estação de esqui, que é bem famosa. Pode-se ir de carro, ou também contratar tours das agências. O local tem restaurantes, hotéis, e uma boa estrutura para receber os turistas.

Um dica importante para fechar o post é sobre câmbio. Na cidade vai encontrar casas de câmbio em muitos lugares, mas sem dúvida o melhor lugar para ir é a Calle Agustinas, com uma concentração muito grande de casas de câmbio fica fácil de fazer a pesquisa pela melhor cotação. A rua fica localizada bem no centro, perto da praça de armas, bem fácil de ir.

Torres del Paine, o primeiro grande trekking da viagem.

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Um dos mais famosos destinos ao extremo sul do Chile é o Parque Nacional Torres del Paine, o parque fica perto da cidade de Puerto Natales, e faz parte da região de Magallanes e Antártida chilena. Nós tivemos a sorte, o prazer, o sacrifício e o maior orgulho de ter conhecido esse lugar único. Acreditamos que todos que já foram para este parque nacional, devem sair com sensação de superação e com o desejo de voltar para fazer mais, e mais e mais. Só de lembrar da experiência, vem aquela emoção que só lembranças como Torres del Paine deixam na gente.

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Vamos contextualizar, Torres del Paine é uma reserva ambiental criada em 1959 e administrada pela Conaf desde 1976, órgão chileno que administra todos os parques nacionais do país. O parque recebe milhões de pessoas por ano, a sua maioria em janeiro e fevereiro, pois é o período que não neva e as temperaturas são mais amenas, além de ter uma quantidade de horas de sol maior nesses meses, chegando a 16 horas de dia claro. Torres del Paine é o parque nacional mais visitado do país.

Considerado pela UNESCO uma das reservas biosfericas do mundo, o parque possui picos que podem chegar a 3000 metros, isso significa que existem microclimas no parque, e que o clima muda muito rápido por lá. A principal atração é a cordilheira Paine, onde se destacam as Torres del Paine, consiste em três agulhas de granito, uma formação única, que contém cores distintas e contrastantes de granito que só podem ser encontrados lá. Mas além das Torres, o parque é composto de campos de gelos, lagunas, bosques, saltos de água, e uma fauna e flora impressionantes, dentre eles estão os guanacos, o huemul, espécie de cerdo que está em extinção, o condor e a maior espécie de puma do mundo.

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Um guanaco no caminho, um de muuuuuitos

Antes de chegarmos no parque, ainda na cidade de Punta Arenas, que fica a 2 horas de carro do parque, fomos informados no guichê de informações turísticas da cidade, que neste ano de 2016, a temperatura dos meses de janeiro e fevereiro foram significativamente mais altas que dos outros anos, e que as visitações ao parque estavam acima do esperado, e por isso os campings gratuitos da Conaf (que são em meios das trilhas, alguns no meio da montanha) estavam controlando a lotação com reservas. Isso necessitou de uma organização maior nossa, pois pretendíamos ver nossa disposição diária e pretendíamos fazer o famoso circuíto W, uma trilha em forma de W, que passa por alguns pontos e miradores em um trekking de três noites e quatro dias, porém não havia mais vagas em alguns campings e tivemos que reorganizar nossos planos.

É possível chegar ao parque de ônibus, existem ônibus que saem de Punta Arenas e de Puerto Natales, estes vão te deixar na portaria do parque. Dentro do parque existem vans que fazem os trajetos internos, estas vans são dos hotéis e refúgios, para os hospedes, saem de graça, mas para quem não é hospede os preços ficam em 5.000 Pesos Chilenos por trajeto. Também é possível fazer uma excursão com agências de viagens de um dia no parque Tour Full Day, onde se visitam  de ônibus as áreas que se tem acesso por caminhos internos. Outra opção são os grupos de trekking que saem com um guia e fazem normalmente a trilha para a Las Torres, porém o caminho é bem sinalizado e fácil de ser feito por conta.

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Nosso primeiro trekking da viajem foi difícil, mas incrível. Chegamos no parque no meio da tarde, com nosso carro. A entrada custa 18.000 Pesos Chilenos por pessoa para estrangeiros e dá direito a ficar quanto tempo quiser dentro do parque, porém se preferir pode entrar e sair em de três dias corridos. Existem 3 entradas no parque, e todos as pessoas são registrados na entrada, vimos um vídeo de apresentação do parque, dos cuidados que se devem ter ao ingressar e ganhamos um mapa com a indicação de todas as trilhas, hospedagens, restaurantes e guarda parques, este guia é muito útil, pois tem os tempos das trilhas e distâncias, e é necessário estar sempre junto com ele, pois o mesmo pode ser solicitado nos pontos de controle, para o parque saber por onde você passou e para saber que você não é um intruso.

Dentro do parque existem os acampamentos gratuitos da Conaf que são no meio das trilhas e com melhor localização para os caminhantes, porém para chegar a eles são algumas horas de caminhada. Esses acampamentos possuem estrutura de banheiros simples e local para usar fogareiro portátil para cozinhar. Existem também acampamentos pagos, que saem de 10.000 a 15.000 Pesos por pessoa, alguns estão no em meio as trilhas e outros no início, estes possuem água quente para banho e local para utilizar fogareiros portáteis, ainda existem as opções dos refúgios, que são hospedagens relativamente simples, com banho quente, mas que saem em torno de 25.000 Pesos por pessoa, e tudo é pago, cobertas, café da manhã, toalhas, pode custar 15.000 Pesos a mais. Os hotéis, que ficam somente nos inícios das trilhas e no caminho de carro, são caríssimos, alguns indicam os valores em dólares. Estes contam com uma estrutura de luxo e os hotéis é a única opção de hospedagem com internet.

As estradas dentro do parque são de terra, e não são as melhores, então andamos devagar, bom para apreciar as paisagens que são de tirar o folego. Fomos de carro até o acampamento Las Torres, onde existem dois campings pagos, um estacionamento, um hotel com restaurante e um pequeno quiosque. Somente o restaurante e o quiosque tem internet e é paga, sim aluguem de Wi-fi. Vale salientar que o parque não tem sinal de telefone, e nem sinal de 3G, então, quem precisa muito mesmo de internet ou telefone, vai precisar pagar um pouco caro por esta necessidade.

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Nossos planos eram de subir a trilha no primeiro dia para chegar no acampamento Torres, o acampamento da Conaf no meio a trilha em direção a Laguna de Las Torres, pois já tínhamos reservado uma noite neste acampamento em Punta Arenas, o problema foi que nos atrasamos muito, e estávamos pronto para começar a trilha somente as 18:00 e não chegaríamos a tempo ao acampamento de dia, e é extremamente perigoso e não recomendável fazer nenhuma trilha no escuro. Então, decidimos não subir e dormir no carro na nossa primeira noite no parque. Digamos que não foi a noite mais confortável do mundo, nos enrolamos nos sacos de dormir relativamente cedo, para começar o dia seguinte também cedo.

Vale lembrar que é extremamente proibido fazer fogo no parque, as penas são de expulsão do parque, até expulsão do país, mais multa de 10 mil dólares, não é pouca coisa. Isso porque no ano de 2011 – 2012, um homem que estava acampado e pescando em um ponto proibido do parque, fez fogo a noite para se aquecer, e o fogo se alastrou, durou mais de dois meses e destruiu mais de 30% do parque. Até hoje é possível ver o local que o fogo passou, pois por ser uma região de temperaturas extremas e com pouca umidade, a vegetação leva muito anos para se recompor. A única forma de cozinhar no parque é em local e com equipamento apropriado, fogareiros de gás portateis próprias para camping.

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Ainda se pode ver as marcas do incêndio de 2011

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Raposa descansando e nos observando passar

Acordamos com o sol, e começamos a nos organizar para sair, o primeiro lugar que fomos foi ao Lago Grey, para chegar ao mirador do Glacial Grey. Estacionamos o carro junto ao guarda parque e começamos a caminhar, a trilha leva cerca de uma hora até chegar ao mirador. Venta muito no parque, e do mirador pudemos observar pequenos icebergs no lago e o glacial ao fundo, o glacial é muito grande, tem 6km de extensão e é possível fazer um passeio de barco que chega bem perto. Também é possível fazer trekking no glacial.

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Caminho para o Mirador Gray

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Imponente Glacial Gray

Depois do Lago Grey, seguimos para Salto Grande, um salto de águas cristalinas que tem um força impressionante. De lá caminhamos cerca de uma hora até o mirador cuernos, de onde pudemos observar os Cuernos del Paine, uma formação que parecem dois cornos. Dalí, seguimos até o acampamento Las Torres e começamos a organizar nossas mochilas, pois o objetivo foi subir a trilha até a Laguna de Los Três, uma laguna que fica aos pés das três agulhas de mármore, as torres mais famosas do parque, mas para isso, precisaríamos dormir a segunda noite do parque na montanha. Organizamos as mochilas com barraca, sacos de dormir polares (as temperaturas a noite são perto do 0 graus no verão) comidinhas, como frutas secas, castanhas, bolachinhas, doces, enlatados, um pouco de água, alguns band-aids, relaxantes musculares, lembrando que tudo que subir e não for usado, é peso carregado por nada, então, um bom planejamento é importante. Há, não precisa levar muita água não, a água dos córregos do parque é de degelo, potável e muito boa.

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Hotel no meio do lago Pehoé, nem nos atrevemos a perguntar os preços, hehe

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Vista do carro de Salto Grande

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Deixamos o carro no estacionamento junto com muitos outros e começamos subir a montanha. Depois de quase 45 min caminhando, encontramos um casal que estava voltando da trilha e nos contou que haviam acabado de ver um puma atravessando a trilha. Continuamos com cuidado e eis que o bichano resolve cruzar a trilha novamente desta vez na nossa frente. O puma passou relativamente perto de nós, nos olhou, e seguiu seu caminho mato adentro. Bom, foi uma experiência única, sabíamos que poderia acontecer, mas é muito raro um puma passar perto das trilhas em plena luz do dia. (Eu, Letícia fiquei apavorada e imóvel) Depois do encontro, continuamos a trilha. Duas horas de subida e chegamos ao Acampamento Chileno, um acampamento pago, que estava lotado. Ali também tem um hostel e uma vendinha superfaturada. Paramos para recarregar nossa água, comprar um chocolate, que impressionantemente ajuda muito, e parar um pouco para descansar.

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Início da subida as torres

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É raro, mas tivemos a sorte de avistar um puma na natureza

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Piadoca para descontrair a arda subida

Depois de um breve descanso, seguimos para o nosso acampamento, foram mais 1 hora e meia subindo e chegamos ao acampamento Torres da Conaf. Não tínhamos reserva para este dia e estávamos preocupados, porém o guarda parque que nos recebeu, foi incrível. Ele não cobrou nenhum tipo de reserva, nos registramos, e ele nos indicou os melhores lugares ainda disponíveis para acampar e nos ofereceu cobertas caso precisássemos. O acampamento tem banheiros e um espaço coberto com bancadas para quem quiser cozinhar. Existem algumas regras do parque, a primeira é que não existem lixeiros, e cada um é responsável pelo seu lixo, então todo o lixo que você gerar, você precisa descartar quando sair do parque. Outra regra é deixar as barracas bem fechadas, existe uma espécie de ratinho, habitantes da montanha. Existem também raposas que vão atrás de sobras das comidas. É importante interferir o menos possível na flora e fauna do lugar, e as pessoas que fazem esse tipo de turismo respeitam muito todas as regras.

Chegamos super cansados, armamos nosso barraca, preparamos algo para comer, conversamos um pouco com a galera e logo fomos dormir, porque no dia seguinte, tínhamos planos que começavam cedo. Haviam nos indicado subir a Laguna de Los Tres para ver o nascer do sol, e que para isso, precisaríamos sair do acampamento no máximo as 5 horas da manhã, pois leva 1 hora para chegar as torres. Quando o despertador tocou as 4:30, muito frio e completamente escuro, a vontade de sair da barraca era zero. Mas conforme foram surgindo as lanternas e a galera subindo, tomamos coragem, nos enchemos de casacos e saímos. Por cerca de 50 minutos caminhamos em total breu, salvo as lanternas das pessoas.O caminho é muito íngreme, com muitos pedregulhos, venta muito e é muito frio. Mas chegamos lá. É simplesmente mágico, não tem uma palavra que possa expressar tudo o que se sente naquele lugar. Acho que ficamos umas 2 horas lá, e depois começamos a descer.

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Amanhecer na Laguna de Las Tres, com os 3 picos ao fundo

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Descemos até o acampamento, desmontamos a barraca e organizamos as mochilas para descer até onde o carro estava estacionando. Levamos cerca de 4:30 horas para descer tudo. A descida é mais fácil, mas é preciso descer com cuidado pois tem alguns lugares que se pode resvalar com bastante facilidade. O que podemos dizer é que não é um passeio para qualquer um, não é um tipo de turismo que todos gostam e sabem aproveitar, é preciso um preparo mental maior que físico, e é importante saber que não existem luxos, não tem banheiro no meio do caminho e o banho nos acampamentos gratuitos, quando tem, não vai ser quente. Mas se você quiser chegar lá, esta é a única forma, e vale a pena.

Saímos do parque cansados, mas extremamente satisfeitos com tudo. E com a promessa de que voltaremos, um pouco mais preparados, para fazer a trilha W e a trilha O que juntas levam em torno de 10 dias.

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Raiz de árvore onde os visitantes colocam pedras para marcar a sua passagem, deixamos as nossas

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E depois… hora de tomar o rumo