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Vida de viajante

Quanto custa um sonho?!

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Então, este post não é sobre viagens como os post que você está acostumado a ver por aqui, este post é sobre nós, e sobre nossa decisão de seguir um sonho, que apesar de lindo e da melhor coisa que podíamos ter feito nas nossas vidas, nos fez tomar decisões e escolhas que muitas vezes as pessoas não estão dispostas a se confrontar.

Não somos multi milionários muito menos de famílias com muito dinheiro, vivíamos para trabalhar, guardar dinheiro para finalmente viajar nas férias. Nunca fomos de muito luxo, mas gastávamos como turistas em férias. O que acontece é que uma hora, nos demos conta que precisávamos de mais tempo, que almejávamos mais e então começamos a pensar em qual seria o ideal, o que queríamos muito neste momento das nossas vidas e foi aí que começou o projeto Road Sweet Home. Ao longo do planejamento, nos demos conta que a aventura seria muito maior do que passar um ano longe de casa, dos amigos e da família, e que para conhecer a América do Sul a baixos custos precisávamos ser muito econômicos e buscar alternativas para seguir viajem, isto vai além de só sair da zona de conforto, é sobre coisas pequenas do dia a dia que fazem uma diferença considerável, mas que no fim vale tanto a pena, que faríamos de novo, e de novo e de novo.


Estamos em plena realização do sonho de viajar pela América do Sul, com nosso carro, ao longo deste ano. Uns chamam de ano sabático, outros de ano dos sonhos, outros de aventura, loucura, cagada, desperdício de tempo e de dinheiro. Bom, ainda bem que nós somos muito bem resolvidos com nossos sonhos e não ligamos com rótulos, não damos atenção a quem queira nos desanimar e sabíamos exatamente o que fazer para realizá-lo.


Estamos viajando com uma meta de gasto diário de no máximo 140 reais (não muito diferente do que gastávamos simplesmente vivendo em Porto Alegre). Esta grana tem que contemplar alimentação, hospedagem, passeios turísticos, gasolina e os imprevistos. Acredite, não é fácil, e tem muita gente aí que conhecemos que esta viajando com menos que isso. Nós não vamos para aquele restaurante lindo da esquina com mesinhas na rua, nem na lojinha de cupcakes coloridos e famosíssima, não ficamos nas cabanas charmosas dos campos a beira dos lagos, ou resorts da beira da praia, tampouco compramos artesanatos e souvenirs que encontramos no caminho, mas temos conhecido lugares e tido experiencias que não fazem estes pequenos luxo importantes. Para conhecer todos os cantinhos da América do Sul, nós estamos cozinhando nossa comida (e estamos ficando bons nisso, aprendemos tantas coisas com a culinária local) , acampando em lugares com estrutura ou em campings rústicos, ficamos em hospedagem extremamente simples, muitas nem sempre tão limpas quanto gostaríamos, nos hospedamos em casa de pessoas locais (e conhecemos pessoas que fizeram toda a diferença na nossa história), dormimos no carro, fizemos os passeios por nós mesmo sem tours, nos perdemos, nos achamos, fizemos nossos lanches, muitas vezes temos banho quente, outras não, ou as vezes até banho de balde. Aprendemos tanto nestes últimos meses, coisas que não se podem explicar, mini superações diárias. Conhecemos pessoas tão incríveis, com histórias lindas, e pudemos compartilhar tantas experiencias, que palavras e fotos não podem expressar.

O fato é que os sonhos têm um preço. E é este preço que faz o sonho ter sentido, e ser vivido plenamente. Te convidamos a pensar em qual é seu sonho, e o que você tem feito nos últimos anos para realizá-lo? O que você está disposto a abrir mão para conseguir o que de fato sempre quis? Escreva nos comentários qual seu sonho.

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Vida viajeira e vaidade combinam?

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Muita coisa mudou!

 

Quando se está viajando a baixo custo e por um período maior, nós mudamos a percepção de algumas coisas e passamos a dar valor para coisas um pouquinho diferentes. A mudança ela não vem de um dia para o outro, ela é gradual, dia após dia você vai percebendo que manter certos costumes e manias são complicados e algumas vezes insustentáveis.

A primeira coisa que eu sabia que iria se passar e que eu já estava bem preparada eram as mãos. Unhas longas e feitas impecavelmente é um luxo que eu só me dei na época da faculdade, quando tinha tempo e paciência para pensar nisso, mas neste estilo de vida “on the road”, é impossível ter unhas um pouco compridas, chega a ser nojento e um pouco perigoso. Depois as sapatilhas bonitinhas e as botinhas vão dando lugar aos tênis de trekking, as havaianas (habemus havaianas) e as alpargatas, as roupas ficam bem repetitivas, os acessórios diminuem até se restringirem a um brinco pequeno, anéis confortáveis e um colar “da sorte” que você usa todos os dias, até o momento que você quase não usa mais maquiagem.

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Bom, se deparar com seu rosto sem maquiagem, com sardinhas, algumas ruguinhas tímidas e marcas de expressão, talvez nas primeiras vezes fazem repensar no estilo de vida viageiro que optamos, mas conforme vão passando os dias e você vai conhecendo pessoas incríveis, lugares indescritíveis e passando por experiências tão enriquecedoras e superadoras, passamos a perceber que este rosto que eu vejo agora, é uma face tão melhor, tão real, tão mais limpa, tão mais viva e cheia de significado, cada marca de expressão é por uma risada, cada sarda é por um dia lindo de sol, cada bolha no pé é por uma trilha que me fez caminhar por horas para chegar em um lugar incrível que quase ninguém chegou, mas que cheguei, eu estava lá, e eu vi.

Eu não perdi a vaidade, tenho meus vestidinhos fofos, minhas maquiagem, cremes, muitos brincos, colares, e uso eles. Apenas lembro com pena de mim mesma que me cobrava certos comportamentos padrões e de quando acordava com muita renite alérgica e usava base, pó, rímel, imaginem, em prol de uma boa imagem (claro que aquilo tudo escorria ao longo do dia, e ficava um caos, mais alergia, mais espirros). Neste momento, que estou em uma casa na praia de Punta Hermosa, ao sul de Lima no Peru, escrevendo em uma sala de frente para o mar, estou bem arrumada, com uma camisa floral que combina com o jeans, e que recebe um acento perfeito com o casaco chumbo que me afina a silhueta. Eu estudei e trabalhei com moda a vida toda, e sim, neste mercado a aparecia é importante, e que eu tenho uma vaidade com referências simples e um pouco atemporais, o que diz muito sobre a minha pessoa. Gosto de dizer que curto uma roupa de vó, adoro um camisa com laço, ou algum frufru, um blazer, um jeans azul bem tradicional e uma sapatilha de bico fino sem salto.

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Mas percebi que existem situações que a simplicidade de uma cara lavada, um calça larga e uma camiseta dizem muito mais para a gente o que de fato importa naquele momento. Nunca, repito, nunca consegui entender como passar frio em troca de um look suuuuper cool é melhor do que estar quente. Se eu saio de casa com frio, fico mal humorada, e só consigo pensar em voltar para colocar um meião e tomar um chá quente. O fato é que a vaidade deve ser leve, adicional, orgânica, e não uma obrigação. É algo que a gente faz para a gente e não por obrigação para os outros. É preciso perceber a beleza da cara lavada, dos limites do conforto e bem estar do corpo, das marcas de história que a vida vai dando para a gente.

Saindo do oásis de Huacachina, na vinda para Lima, me percebi olhando meu reflexo no espelho, completamente sem maquiagem, e tenho que dizer que eu fiquei muito feliz com a beleza que eu vi no meu rosto, tenho 30 anos, mas naquele momento eu parecia uma menina, com os cílios clarinhos e espaçados, as sardas todas aparentes, os olhos como duas bolitas marrons, sem contornos, e a boca, cor de boca, meio tortinha como ela é.

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A liberdade do mundo e a vaidade da real beleza