Copacabana e Isla del Sol

By 2 de junho de 2016Bolívia

Visitamos poucos lugares na Bolívia, pois os relatos das estradas do país não são bons, e nós não estamos viajando com caminhonete com altura suficiente para encarar estradas mais difíceis, porém estávamos a margem do lago Titicaca no lado peruano, e não poderíamos perder a oportunidade de conhecer as margens e ilhas do lado boliviano.

Copacabana é um centro de peregrinação muito importante para o país, e leva este nome em função da Basílica de Nossa Senhora de Copacabana, a santa mais adorada do país. A cidade está situada entre dois cerros,  Calvário e Kesanani, tem cerca de 6 mil habitantes, e fica às margens do lago Titicaca, o lago mais alto navegável do mundo, são 3.812 metros sobre o nível do mar. Este lago é muito importante para a Bolívia, visto que o país, assim como o Paraguai são os únicos da América do Sul que não tem saída para o mar.

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Praia e porto de Copacabana

Saímos de Puno, no Peru, e pouco mais de 2 horas de carro já estávamos na aduana Peruana. Haviam nos indicado para deixar para trocar o dinheiro perto da aduana que seria uma cotação melhor, logo que chegamos, vimos alguns câmbios. Vale ressaltar que nestes lugares, o câmbio não é necessariamente uma casa de câmbio, na maioria das vezes é um mercadinho, uma fruteira, um quiosque com indicação de cambio na porta, a maioria aceitam câmbio de real. A saída do Peru foi muito tranquila.

Chegando na aduana Boliviana fomos no primeiro lugar que encontramos, para fazer o registro do carro. Fizemos o registro e depois precisamos sair a procurar pela polícia federal para carimbar os passaportes e o registro do carro, não existe muita indicação e as coisas não são no mesmo lugar. Apesar de precisar procurar os lugares para nos registrar, a entrada no país foi muito tranquila. Não se assuste se você for de carro e ver que os registros são todos feitos a mão, em livros memorando, nas paredes haviam vários arquivos anuais das entradas e saídas do país que visivelmente eram feitos a mão. Outra coisa importante, a aduana boliviana tem horário e fecha ao meio dia. Das 8:00 as 13:00 e das 14:00 as 19:00.

Chegamos na cidade e fomos buscar uma hospedagem com estacionamento para o primeiro dia, nossos planos eram dormir a primeira noite em Copacabana, e a segunda na ilha do Sol. Na própria aduana nos indicaram não deixar o carro estacionado na rua. Conseguimos uma hospedagem, bem simples, mas com wifi, e que tinha convênio com um estacionamento, o quarto privado com banheiro compartilhado saiu 50 bolivianos, e o estacionamento 10 bolivianos por dia. Resolvido a hospedagem fomos conhecer a cidade, que se faz toda a pé.

A pequena cidade tem suas atrações, a mais imponente é a Basílica de Nossa Senhora de Copacabana. A construção destoa da simples arquitetura da cidade, com prédios e casas quadrados e muitos com os tijolos a vista e muitos puxadinhos, arquitetonicamente a cidade não é bonita, e visualmente parece um caos, enquanto a Basílica é uma construção muito grande, elaborada, com arcos e colunas estilo gregorianas, com uma entrada grande, espaçosa, toda branca com detalhes em tons azul e amarelo no topo da construção. A primeira visita que fizemos foi a noite, a basílica é toda iluminada por fora, e entrando na igreja, descobrimos que ela é tão impressionante quanto por fora, o altar e algumas das paredes laterais são trabalhadas em ouro, com as imagens dos santos vestidos com roupas brilhantes e coloridos, é uma pena que a igreja não pode ser fotografada por dentro. No dia seguinte visitamos ela durante o dia, e assim foi possível apreciar melhor alguns detalhes externos.

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Basílica de Nossa Senhora de Copacabana

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O imponente tamanho da Basílica

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Rua principal de Copacabana

Também é possível subir o Cerro Calvário, de onde se pode ver a cidade e o lago do alto, o cerro se sobe a pé, e vale lembrar que estamos a quase 4 mil metros de altitude, então programe um tempo um pouco maior para essa subida. A praia é o local mais frequentado, pois é possível fazer atividade no lago, desde pedalinhos á aluguel de kayak. Dizem que Copacabana é a praia da Bolívia e que em alta temporada existem muitos bolivianos veraneando por lá. Na orla também tem muitos bares e restaurantes que ao meio dia vendem Menus (opções de pratos do dia, que saem mais econômicos) e a noite happy hour com pisco, mojito e várias opções de bons drinks, existem opções para todos os bolsos. Uma atração à parte são as pessoas. A cidade ribeirinha ainda tem muito forte a cultura dos povo originários e mantem o habito das vestimentas tradicionais no dia a dia.

O colorido está em quase toda a parte. Vale comentar que a cidade dispões de opções para todos os bolsos, tanto de hospedagens como de alimentação, existem hotéis luxuosos, com piscina, assim como hospedagens bem simples. Também encontramos muitas lojinhas de artesanato ao redor da praça principal e na ruas principal que vai até a praia, junto com mercadinhos e muitos lugares para câmbio. Outra coisa super importante, a água encanada da Bolívia não é potável, por isso compre água mineral, se encontram galões de água e garrafas para vender em todos os mercadinhos, em toda esquina. Também são frequentes os ônibus para La Paz e outras cidades da Bolívia, assim como Puno no Peru. Porém, falando de transporte, o mais importante são as embarcações para a Ilha do Sol, que fica no meio do lago Titicaca.

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Baia no lado norte da Ilha do Sol

Claro que fomos para a Ilha do sol, e é possível fazer este passeio incrível de várias maneiras. Não tem um agência em Copacabana que vende o passeio completo (transporte ida + guia + hospedagem + transporte volta), mas é muito fácil de ir e se pode adaptar o passeio conforme os dias que se tem para desfrutar. Vamos mostrar aqui como foi a nossa experiência e nossa forma de conhecer esse lugar mágico e depois mais abaixo as opções de horários de barcos e demais informações para quem quiser montar um roteiro diferente.

A Ilha do Sol é uma ilha povoada por descendentes indígenas de origem Quéchua e Aymara, que se dedicam a agricultura, o turismo, ao artesanato e a criação de animais. A maioria fala os idiomas Quechua e Aymara, mas em função do turismo falam espanhol e um pouquinho de inglês. A ilha povoada desde a época dos Incas, era um santuário onde havia um templo com virgens dedicadas ao Deus Sol e Inti, daí o nome da ilha. Na ilha está também a Roca Sagrada, onde se acredita ser o local de onde saíram Manco Cápac e Mama Oclloa, os fundadores da cidade de Cusco no Perú.

Além deste peso e um importância fundamental em toda a cultura Inca, existem vários sítio arqueológicos na ilha, la Chinkana, o labirinto, o Palácio de Pikokaina e as escadarias de Yumani, que até hoje conduz agua da parte alta da ilha onde existe uma fonte de agua da época precolombina, além das terraças, herança dos incas, que são utilizadas até hoje para a agricultura.

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Saímos de Copacabana as 8:30 de barco rumo a parte norte da ilha. Chegamos lá as 11 horas manhã e já fomos abordados por um local que nos indicou a direção do museu e nos informou o valor de ingresso a parte norte da ilha, 10 bolivianos (antigamente as pessoas diziam que este era um pedágio, pois era feito de forma bem informal, hoje te dão um boleto de entrada e existe um certo controle) o moço também se ofereceu para ser guia. O valor do guia não é muito fixo e eles cobram na hora, possivelmente pela quantidade de pessoas, mas o normal é cobraram 10 bolivianos por pessoa. A parte norte pode ser visitada em uma hora se for feito de forma bem objetiva, muitas pessoas fazem o passeio e trekking em toda a ilha em um dia, se essa for a opção, então vale a pena pegar o guia, pois ele vai puxar o ritmo e fazer todo o trajeto certinho da parte norte, sem se perder, em uma hora, assim dá tempo de fazer o trekking da parte central da ilha e chegar ao sul em tempo do último barco, que sai para Copacabana as 16h30.

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Ida de barco a Isla del Sol

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Porto norte da Ilha

Nós decidimos dormir uma noite na ilha, então tínhamos tempo. A ideia original era dormir no sul da ilha, onde nos falaram ter mais opções de hospedagem, com wifi, e restaurantes, mas a parte norte é de fato muito encantadora, nós passamos muitas horas por lá, e decidimos ficar hospedados por ali. Nos arrependemos um pouco de não ter levado a barraca, pois muita gente acampa na praia branca, mas  conseguimos uma hospedagem muito em conta, em um lugar muito simples, e claro, sem internet. Um quarto privado com banheiro compartilhado custou 40 bolivianos para nós 2. A maioria das hospedagens no norte da ilha são simples e sem internet.

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Campistas na Playa Blanca

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Playa Blanca no lado norte da Ilha del Sol

Na parte norte da ilha se vê de ruínas: A Roca Sagrada, a Pedra de Sacrifícios, la Chinkana, El Labirinto, e Palácio de Pikokaina. É impressionante. Além das ruínas visitamos duas praias, uma delas que fica pertinho do labirinto. A outra praia foi a Playa Blanca, onde vimos muitas barracas e ficamos loucos para acampar. Nós abandonamos a ideia de fazer a ilha a pé até o sul, e por isso não passamos pela parte central, onde não possui ruínas, mas todos dizem ter uma vista deslumbrante e que todo o caminho é lindíssimos. Ficamos na Playa Blanca para admirar o por do sol, e durante a noite tivemos a sorte de um tempo limpo, e pudemos nos deslumbrar de um céu cheio de estrelas e sem poluição de luz.

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Roca Sagrada

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Pedra de Sacrifício

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El Labirinto

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Lê percorrendo o El Labirinto

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Pier da praia abaixo das ruínas

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Distinto por do sol na parte norte da ilha

No dia seguinte, cedinho fomos de barco até a parte sul. Na parte sul da ilha é possível ver e subir as escadarias de Yumani, que são com muitos degraus, e de fato até hoje, faz correr água da parte alta da ilha. Vimos muitas hospedagens e hotéis com boa estrutura, além de restaurantes com internet por lá. Em toda a ilha as ruínas infelizmente não são muito bem sinalizadas, é fácil de chegar, porém não existem placas ou totem dando o nome ou explicação sobre a ruína, então se você é como nós, que curte saber o que está vendo e visitando, procure se informar antes ou vá com um guia. Olha aí as nossas fotinhos com as legendas para saber o que é o que.

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Subida da escadarias de Yumani

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Na ilha, além de todo o turismo, com inúmeros hosteis e turistas circulando, se pode vivencias a vida simples da população local, que trabalha mesmo com o vai e vem de visitantes de todos os lugares do mundo. Animais também andam soltos por todos os lados, e a interação com eles é simples e encantador, só depende de você. Por isso damos a dica, durma pelo menos uma noite na Isla del Sol, é barato e não irá se arrepender.

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Muitos porcos pequenos andam livres pela ilha, e aceitam a interação humana

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Morador da ilha

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Patos comendo na mão

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Moradora levando sua colheita das terraças para o povoado

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Os buros são o principal meio de transporte de carga na ilha

Balsas: Horários e valores:

Saindo de Copacabana para note e sul da ilha do Sol:

8:30 e 13:30, custam 25 bolivianos por pessoa dura 2:30 horas a viajem

Da parte norte a parte sul da Ilha:

8:30, custa 20 bolivianos por pessoa, dura 45 min de viajem

Da parte sul da Ilha para Copacabana:

10:30, 16:30 custa 25 bolivianos por pessoa, dura 1:40 min de viajem

De Copacabana para qualquer lado da ilha de bote privado (qualquer horário): 200 bolivianos.

Vale a pena se você estiver viajando com uma galera, família amigos papagaio e cachorro etc.

Entradas ou antigos Pedágios da Ilha:

Parte norte: 10 bolivianos por pessoa

Parte central: 15 bolivianos por pessoa

Parte sul: 5 bolivianos por pessoa

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Vista dos picos nevados da Bolívia

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Join the discussion 6 Comments

  • Melissa disse:

    Ótimo post, me ajudou muito ! E a bagagem, não é ‘hard’ chegar na ilha com ela (mochilão)? Você deixou a bagagem em Copacabana?

    • roadsweethome disse:

      Oi Melissa, que bom que ajudamos.
      Levar o mochilão pode ser bem difícil, principalmente pela altitude. Como nós estamos viajando de carro, e ele ficou em um estacionamento, deixamos a bagagem lá e fomos apenas com uma mochila pequena. Mas a maioria dos hosteis guardam a bagagem sim, por valores bem baixos, algo em torno de 10 bolivianos. As agências que vendem os tickets do barco a Isla del Sol também oferecem o serviço de guardar a bagagem dos viajantes, então não terá problema com isso, e acreditamos que deixar o excesso de peso em Copacabana é a melhor opção.
      Abraço.

  • Jair disse:

    Parabéns pelo post o mais completo e esclarecedor que achei até agora sobre Copacabana e Ilha do Sol, estava a procura dos horários de partida e chegada dos botes entre os diversos locais e seu post ajudou muito nesse sentido. Farei um roteiro semelhante ao seu com pernoite no lado norte da Ilha do Sol.

    Gostaria de saber se os trechos das passagens que saem da Ilha do Sol como por exemplo Lado norte da Ilha do Sol/Lado Sul da Ilha do Sol e Lado sul da Ilha do Sol/ Copacabana podem ser comprados também na Ilha do Sol ou apenas em Copacabana?

    As passagens podem ser comprados diretos nos botes ou tem pontos de venda em Copacabana e na Ilha do Sol?

    Você comprou todas os trechos do roteiro que fez (ida e volta) em Copacabana ou deixou para comprar os trechos de volta da Ilha do Sol somente lá?

    É apenas uma empresa que faz o transporte de bote ou são várias? Os preços são tabelados?

    Obrigado!

    • roadsweethome disse:

      Obrigado Jair, estamos trabalhando para passar as infos mais completas o possível, estamos felizes de conseguir ajudar.
      De Copacabana se pode comprar passagem só de ida para sul ou só de ida para o norte, como ida e volta, a gente comprou só a ida para o norte, a volta deixamos para comparar na ilha mesmo.
      Para comprar a passagem em Copacabana existem várias agências, vale a pena pesquisar em várias, e principalmente chorar.
      A passagem do norte para o sul ou vice-verça, assim como a volta para Copacabana se compra na ilha, se compra junto a marina onde os barcos largam as pessoas, e lá o preço é tabelado. Nós compramos tanto o trecho do norte ao sul quanto a volta do sul para Copacabana na ilha mesmo.
      Esperamos ter ajudado.
      Abraço e boa viagem,
      Letícia e Luis Fernando

  • Murilo disse:

    Boa Tarde, quero fazer o passeio da ilha do Sol de 1 dia e quando voltar pegar o ônibus para La Paz que sair 18h30. Você acha que é possível ou muito arriscado? Tem alguma opção para voltar antes das 16h30?

    • roadsweethome disse:

      Oi Murilo,
      A princípio até da tempo, o nosso bote de volta saiu na hora, mas boliviano é pior que brasileiro em relação a horário, o nosso bote de ida a ilha atrasou a chegada um pouco.
      De horários programados dos botes são esses que estão no post, fora isso só contratando privado, mas ai sai mais ou menos R$100 o bote pelo que perguntamos, se estiver em mais pessoas talvez seja uma possibilidade.

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