De Rio Gallegos à Ushuaia – o caminho para terra do fogo

By 17 de junho de 2016Argentina

A patagônia é com certeza um lugares no mundo que mais recebe viajantes de carro, moto, trailer e outros meios motorizados, e não é por menos, nos rodamos por quase toda essa região, e além de cidades incríveis, a paisagem das estradas era um espetáculo a parte. Nesse post vamos tratar de um dos trajetos que mais tínhamos dúvidas e incertezas, e ajudar a leitores que se animem nessa aventura sobre rodas.

Para chegar ao Ushuaia de carro existem algumas coisas que você precisa saber. Saímos de Puerto San Julian cedinho e fomos pela Ruta 3 sentido sul, passamos pela Reserva Nacional Monte León, vale muito o passeio, se quiser saber mais fizemos esse post sobre o parque, passamos o dia lá e no fim do dia seguimos para Rio Gallegos, parada obrigatória para quem vai até Ushuaia, vamos explicar o porquê.

Rio Gallegos é a cidade mais próxima da balsa que liga o continente a terra do fogo, a balsa tem restrições quanto ao vento, muito vendo igual a balsa parada, a orientação que tivemos foi de ir bem cedinho, pois pela manhã venta menos, e também porque a balsa somente transporta 30 carros por viajem, então quanto antes chegarmos, antes seguimos viajem. Sem falar da aduana que passaríamos, sim, tem que entrar e sair do Chile antes de chegar ao Ushuaia.

Rio Gallegos em si não é uma cidade com muito atrativos, é uma cidade relativamente grande, com cerca de 95 mil habitantes, possui boa infraestrutura, com hotéis, hosteis, campings, restaurantes e bares, mas definitivamente não é uma cidade turística, apesar de ser parada obrigatória para todos que estão a caminho do Ushuaia de forma motorizada. No sul da Argentina as cidades ficam muito distantes uma da outra, e se hospedar em alguma cidade antes tornaria a viagem até a balsa e até Ushuaia muito comprida.

Chegamos em Rio Gallegos no fim do dia, e fomos buscar um camping, como a cidade recebe muitos viageiros, possui algumas opções de campings, onde ficamos tinha uma estrutura ótima. Conhecemos pessoas muito bacanas no camping, compartilhamos dicas de viagens e muitas histórias. Como chegamos na cidade no fim do dia, reservamos duas noites para poder conhecer um pouco a cidade e região.

No dia seguinte fomos conhecer a cidade, fomos a praça de armas, que é bonita, depois seguimos para a costa, que nos pareceu um pouco abandonada, as pessoas não frequentam o lugar que inclusive não passa uma sensação de segurança. Fomo também ao Museu Ferroviário, que estava fechado e mais parece um cemitério de trens abandonados, com a exceção de um que estava reformado. O lugar não é cuidado ou organizado, e servia de dormitório de moradores de rua visto as roupas e colchões encontrados dentro dos trens, e as grades estavam rompidas, por isso conseguimos acessar o local.

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Monumento da praça de armas de Rio Gallegos

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Construção abandonada na costa da cidade

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Trem reformado do Museu Ferroviário

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Cemitério de trens

No dia seguinte saímos bem cedo rumo a balsa, abastecemos, e essa parte é bem importante de falar pois existem pouquíssimos postos de gasolina no caminho. Antes de chegarmos na balsa fizemos uma parada para conhecer a Laguna Azul, uma indicação que se mostrou uma das melhores surpresas da viajem, a laguna fica a 60km ao sul da cidade de Rio Gallegos. A laguna é um espelho de água localizado na cratera de um vulcão inativo do campo vulcânico de Pali Aike. O lugar e surpreendente, e queríamos ter mais tempo para poder ficar e caminhar pelo campo, a chegada é fácil, o vulcão é muito velho e sua cratéra está basicamente no nível da estrada, e se chega de carro até muito próximo. É possível descer até a laguna e caminhar pela região, mas ai a descida, e posteriormente a subida, é bastante íngreme. A entrada é gratuita e de livre acesso.

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Laguna Azul, na cratera de um vulcão

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Antes de chegar na Balsa, existe a fronteira com o Chile. Sair pela aduana da Argentina foi fácil, levamos menos de 40 minutos, porém, entrar pela aduana no Chile nos tomou mais de 2 horas, uma das aduanas mais confusas e burocráticas que já passamos.

Andamos 50km em território chileno, boa parte em estrada de chão (ou rípio como é chamado) e finalmente chegamos na balsa. Não esperamos muito até embarcar. A balsa custou 375 pesos argentinos pelo nosso carro, a balsa também pode ser paga em pesos chilenos. A viajem foi rápida, durou cerca de 45min, e dentro possui um café simples com cachorro quente para quem quiser comprar algo quente, mas claro, com valores extremamente inflacionados.

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Saímos da balsa e seguimos mais 150km até voltamos para território argentino. Para sair do Chile e entrar na Argentina foi bem tranquilo.

Seguimos pela Ruta del Fin del Mundo, e perto de chegar a Ushuaia, o visual muda completamente, de uma vegetação de serrado baixa, com cores amareladas, para uma vegetação de bosque, com muito verde, lagos azuis e cores vivas. No caminho paramos para abastecer na cidade de Rio Grande, afinal nesse trajeto não haviam postos de gasolina. Passamos por Tolhuin, a cidade nos lembrou a cidade de Gramado no Rio Grande do Sul, com casas estilo alemãs, muitas fores coloridas nos jardins, muita madeira, chegamos a buscar hospedagem na cidade, mas além de estar cheia, as opções de hospedagens ainda disponíveis, apesar de encantadoras, eram muito caras. Aproveitamos a parada para comer na confeitaria La Union, uma confeitaria indicada por vários viajantes. O lugar não é extremamente lindo, mas os doces… são simplesmente maravilhosos e o preço é bem justo. A confeitaria é conhecida por ser a melhor da Argentina, nós não podemos afirmar isso, afinal não fomos TODAS as confeitarias do país, mas essa foi a melhor que comemos.

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Doces e um chá para animar os viajantes antes de voltarmos para a estrada

Não faltava mais muito para chegar a Ushuaia, e no caminho passamos pelo Lago Fagnano e pelo Lago Escondido, a estrada possui vários miradores, pois a paisagem dos lagos cor azul anis se mesclam com as montanhas nevadas, e o bosques verdes. Nestes lados vá especialmente com calma, além da paisagem ser deslumbrante e te distrair, o caminho tem muitas curvas e muitos motoristas que são acostumado com velocidades acima dos 100km.

Depois de mais de 11 horas de viajem, 700km percorridos, grande parte em estrada de rípio, quatro aduanas e uma balsa, chegamos ao Ushuaia, ainda com claridade, graças ao verão patagônico que amanhece as 5:00 e anoitece as 21:30.

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Selfie no mirador para o Lago Escondido

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