El Bolsón, o paraíso das cervejas artesanais

By 17 de junho de 2016Argentina

El Bolsón está localizada a 120km ao sul de Bariloche e fica no centro de um vale, a cidade possui o charme de estar rodeada por montanhas. Além do mais, é parada obrigatória para os amantes de uma boa cerveja artesanal. É nessa região que estão as fazendas de lúpulo da Argentina, produto que vem sendo reconhecido pela qualidade em todo o mundo, e claro que a proximidade com esse insumo cervejeiro fomentou todo um mercado local, e a região está repleta de micro cervejarias artesanais e produtores caseiros. A cidade também possui uma atmosfera hippie, com muito artesanato e viajantes nômades que param mais tempo na cidade.

Nós conhecemos a cidade em apenas dois dias, mas se você tiver um pouco mais de tempo, e quiser conhecer todos os atrativos do lugar, reserve de 4 a 5 dias, pois a região é incrível e com muitas atividades distintas.

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Av. San Martin no Centro da cidade

Nosso objetivo em El Bolsón era conhecer uma fazenda de lúpulo, pois caso vocês não sabem, o Luis é cervejeiro artesanal a apaixonado por lúpulo. Tínhamos o contato de uma das fazendas e havíamos enviado um e-mail para combinarmos a visita, porém não tivemos retorno. Chegamos na cidade no meio da tarde e fomos buscar o centro de informações turísticas. Lá recebemos mapas e várias indicações de passeios. A cidade tem muitos passeios e lugares lindos para conhecer, mas que demanda tempo, pois são passeios na natureza e que precisam de mais de um turno e tempo de caminhada. Nós não tínhamos muito tempo, então tivemos que eleger com bastante dificuldade poucas atividades na cidade. No centro de informações turísticas também nos passaram a indicação do local onde ficavam as fazendas de lúpulo, porém não sabiam informar sobre visitas.

A cidade era reduto de hippies na década de 70 e mantem muito deste estilo de vida até hoje. A maioria das hospedagens da cidade são campings e hosteis, mas se encontram hotéis também. A cidade tem muitos campings mesmo, para todos os gostos e bolsos. São 11 campings, alguns junto ao rio Quemquemtreu, outros bem próximo ao centro da cidade, e o mais famoso fica na estrada chegando na cidade e pertence a cervejaria El Bolsón, fica no mesmo local da fábrica e do bar. Nós ficamos em um dos campings junto ao rio Quemquemtreu.

Aproveitamos o dia que chegamos para conhecer a cidade a noite, há muitas cervejarias artesanal na cidade, porém poucas com seus bares próprios, a noite da cidade é um pouco agitada, há muitos bares e a cidade é bem iluminada, ótima para caminhar, apesar do frio.

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Movimento do centro de El Bolsón

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No dia seguinte fomos pela manhã na feira de artesanato que acontece na praça central da cidade. A feira é super conhecida, e se pode encontrar de tudo, desde artesanatos hippies a frutas orgânicas, bolos e doces artesanais, joias em prata e pedras, muita arte em madeira, peças de lã tricotadas, cervejas artesanais, antiguidades, foi a Disney para nós. Dica: não chegue muito cedo, pois você irá encontrar as pessoas chegando e montando suas barraquinhas, o movimento começa pelas 10 horas da manhã. A fera começa em teoria as 9:00, vai até o meio da tarde e acontece as terças, quintas, sábado, domingos e feriados.

Aproveitamos uma cerveja artesanal e conhecemos também a praça da cidade, podemos ver o Cerro Piltriquitron ao fundo, a paisagem é deslumbrante.

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Feira artesanal de El Bolsón

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Aproveitando das melhores cervejas artesanais da Argentina

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Arvore talhada na praça central da cidade, referência ao Bosque Talhado, atração da região

Depois de almoçar seguimos para o nosso grande objetivo, as fazendas de lúpulo, afinal não tínhamos visita reservada em nenhuma, mas não custava bater na porta. E foi exatamente o que fizemos.

Paramos em frente a Lúpulos Patagônicos e resolvemos entrar. Fomos extremamente bem recebido pelo Klaus, o dono da fazenda e que mora no local, junto com seus 2 cachorros percorremos as plantações, nos contou sobre a história do seu negócio, que está no mercado a 30 anos, contou sobre as novas cepas que ele está cultivando para ampliar as opções de lúpulo para o mercado artesanal, sobre o rígido controle de qualidade que o mercado europeu exige para importação e sobre a dificuldade que é exportar para o Brasil, visto os nossos tão conhecidos impostos e o valor absurdo de transporte de pequenas quantidades para o Brasil. Vimos todo o processo, e foi uma experiência única. Klaus foi uma pessoa incrível, trocamos contato e depois de passar toda a tarde na fazenda, voltamos para o camping cheios de flores de lúpulo e felizes da vida. Confessamos que deu vontade de pedir para ficar lá trabalhando por uns meses, quem sabe na próxima visita!

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Plantação de lúpulo cascade

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Plantação de lúpulo willamete

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Colheita do lúpulo

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Separação da flor do lúpulo das folhas

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Secagem do lúpulo

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Klaus, nosso guia e dono da Lúpulos Patagónicos

No dia seguinte aproveitamos para dar uma relaxada e fomos a Muelle, uma praia a 18 km ao sul de El Bolsón, passamos o dia curtindo a praia de pedras do lago Pueblo e caminhando pelo bosque repleto de amoras, infelizmente poucas estavam maduras, mas deu para comer um pouco direto do pé.

De Muelle saem barcos de passeio pelo lago, são 2 passeios, o passeio costeiro, com duração de 1 hora e percorre a costa do lago, e o passeio até o limite com o Chile, esse com duração de 3 horas e uma caminhada de 30 minutos nos limites com o país vizinho. O lugar é muito bonito, e sem dúvida o passeio teria valido a pena, contudo preferimos a ideia de sentar, ou até deitar, nas pedras da praia e aproveitar a tarde no lugar. No caminho de El Bolsón a Muelle se passa pelo povoado de Lago Pueblo, super pequeno e muito simpático, aproveitamos a volta e paramos para comer alguma coisa por ali.

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Praia de Muelle

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Aproveitando para dar uma relaxada na “areia”

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Amoras selvagens!!!

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Passeio no bosque

Nós tivemos pouco tempo em El Bolsón, porém a cidade oferece opções de cavalgadas, trekkings, rafting, pesca esportiva e montanhismo. A 50km da cidade se encontra o ponto de partida do Viejo Expreso Patagônico, um trem a vapor reformado da década de 20, que sai da cidade de El Maitén e passa lentamente por paisagens patagônicas. O trem para em alguns pontos para os passageiros tirarem fotos, a viagem termina em Esquel. O cerro Piltriquitron é uma das principais atrações da cidade de El Bolsón, é possível fazer trekking e passear pelo bosque talhado, formado por esculturas talhadas em troncos de arvores que restaram de um incêndio florestas da década de 80. Há também o Perito Moreno, uma montanha onde funciona um centro de esqui, no verão fica fechado, pois não há neve. Outro lugar muito indicado é El Cajon Azul, um cânion de 900 metros de extensão, rodeado de bosques nativos com um lago de águas azuis, para chegar é preciso caminhas cerca de 3 horas. A região possui cascatas, lagos, trilhas para miradores em bosques ciprestes, e uma beleza natural impressionante. É possível também visitar a cervejaria artesanal El Bolsón, tomar boas cervejas no Pátio Cervejeiro, ou em outra oportunidade das várias que a cidade vai te apresentar, pois a cultura cervejeira é muito forte por lá.

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