El Chaltén e a montanha Fitz Roy

By 15 de junho de 2016Argentina

El Chaltén é conhecida como a capital argentina do trekking, fica ao sul da cordilheira dos andes, na patagônia argentina e tem pouco mais de 500 habitantes no inverno. Recebe milhares de turistas no verão, que tem por objetivo subir a montanha Fitz Roy e a montanha Torre.

A cidade na verdade é um povoado pequeno, porém com estrutura para receber os turistas. A maior cidade próxima é El Calafate, que conta com aeroporto e linhas de ônibus para El Chaltén. Chegando na cidade a primeira coisa que fizemos foi nos registrar na administração do parque nacional, chamado Los Glaciares. Lá recebemos mapas e várias instruções sobre hospedagem e principalmente das trilhas. Fomos em fevereiro, e haviam muitos viajantes na cidade, e a cidade dos mochileiros.

A cidade conta com várias opções de hospedagens, é possível se hospedar em hotel, hostel ou camping, há opção para todos os bolços, porém poucas hospedagens que possuem internet, somente as mais caras. Na verdade a cidade não é propriamente barata, os mercadinhos, restaurantes e bares são bem inflacionados. Contudo existem muitas opções de bares e restaurantes.

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Nós ficamos hospedados em um camping. Vale lembrar que mesmo no alto verão, estamos na patagônia e a noite pode fazer muito frio, se a opção for a mesma que a nossa é bom estar preparado com um bom saco de dormir. Como chegamos no início da tarde, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade e nos preparar para o trekking de dois dias e uma noite que havíamos nos propostos a fazer.

As opções do parque nacional são várias, e nele está o Glacial Viedma, se chega a ele apenas de barco e com tour. Nos indicaram esse como um dos melhores trekking em glacial da América do Sul, mas achamos o valor um pouco caro e optamos por não fazer, de qualquer forma, é um trekking de um dia, e custa 1700 pesos argentinos, inclui transporte e alimentação. Também é possível fazer rafting, cavalgadas, passeios de bike, passeios de barco e escaladas.

Nós tínhamos dois objetivos no nosso trekking, ir até a Laguna de Los três, na montanha Fitz Roy e a Laguna Torre na montanha Torre. Sim, nós queríamos subir as duas montanhas em dois dias.

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Mapa das trilhas de El Chaltén

Como já comentamos aqui, no post sobre nosso primeiro trekking da viajem, em Torres Del Paine, os parques nacionais possuem uma fiscalização e cuidados muito específicos para estas reservas. Nos parque nacionais da Argentina, assim como no Chile, não se pode fazer fogo, você é responsável pelo seu lixo, não existem lixeiras no caminho, existem as áreas específicas para camping e não é permitido acampar fora das áreas. Os campings são gratuitos, com exceção de um em uma área privada. As aéreas de camping estão localizado no meio das trilhas. Eles não tem banho e o banheiro é no estilo capunga. As pessoas que fazem este tipo de turismo são bastante conscientes de deixar a montanha do jeito que encontrou e procuram interferir o mínimo possível na fauna e flora local.

Seriam dois dias de caminhada, e nosso plano foi acampar na área de camping gratuita Poincenot, perto da Laguna de Los Três. Para isso montamos as nossas mochilas com o necessário, e só o necessário, pois passaríamos dois dias carregando nossas coisas, e como já dito, tudo o que se leva e não se usa, é peso carregado por nada.

Saímos do camping e deixamos o carro em uma estacionamento no início da trilha. Logo de início pudemos observar condores voando muito pertinho de nossas cabeças. Foram cerca de 3 horas de caminhada até chegar ao acampamento. Passamos pela Laguna Capri, e ali almoçamos, descansando e aproveitamos o lugar que é simplesmente lindo.

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Vista no início da trilha, para empolgar a subida

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Condor que avistamos voando na nossa primeira parada

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O visual dos picos nevados que acompanha o caminho é deslumbrante

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Caminha da até o destino

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parada na Laguna Capri para almoço e um descanso

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Laguna Capri com vista ao pico da montanha Fitz Roy

Chegamos no início da tarde no acampamento Poincenot, já haviam algumas barracas montadas na área de camping, escolhemos um lugar e armamos a nossa. Demos uma pequena descansada, comemos um snack e seguimos caminhada por mais quase duas horas até a Laguna de Los Três, o plano era segui até o final da trilha, voltar para dormir, para no outro dia irmos então para a Laguna Torre. No primeiro dia foram no total 10km de caminhada intença, subimos 750 metros em um total de quase 5 horas.

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Caminho chegando no acampamento

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Uma das aves que rondavam as barracas na área de camping

Acreditem, o lugar compensa o cansaço e esforço. No primeiro momento que se avista a Laguna de los Tres ainda falta um pouco para chegar nela, é uma parte mais alta de pedras com uma visão panorâmica, de um lado a laguna, do outro uma vista ampla do parque nacional, sentamos por um bom tempo apenas apreciando a vista, era deslumbrante. Depois descemos até a laguna, uma descida bem ingrime, que significa uma subida igualmente ingrime e bastante puxadinha.

Uma curiosidade, o nome El Chaltén significa “montanha que fuma / fumega” na linguá do povo que habitava antigamente a região. Como podem conferir na foto, e pelo que nos falaram, quase sempre há uma nuvem no pico da montanha Fitz Roy, dai o nome da cidade.

Voltamos para o acampamento, conversamos com algumas pessoas e depois fomos dormir, pois no dia seguinte tinha mais caminhada.

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Laguna de las Tres e todo seu esplendor

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Vista do parque do topo do Fitz Roy

 

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O dia seguinte começou cedo, desmontamos acampamento e voltamos a trilha em que estávamos até o encontro com a trilha Madre e Hija, caminhamos por cerca de 8km em um caminho plano, onde passamos por bosques incríveis, e as duas lagunas que dão o nome da trilha. Esta trilha liga as duas montanhas, começa no Fitz Roy e termina no Torre, o tempo inteiro acompanhados dos picos nevados. Depois de mais de 2 horas de caminhada, chegamos ao meio da trilha Laguna Torre. Aproveitamos para descansar, comer um chocolate para dar um gás, pois deste ponto seriam mais alguns km de subida.

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Vista ao pico Fitz Roy da trilha Madre e Hija

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Vista ao pico Fitz Roy da trilha Madre e Hija

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Curtindo a nossa caminhada em meio a natureza

Descansados e motivados, seguimos até chegar na Laguna Torre. Os últimos metros são especialmente difíceis, mas quando se chega no topo, o sentimento de “eu consegui” junto com uma paisagem contemplada e conhecida por poucos, faz qualquer cansaço e sacrifício valerem a pena. A Laguna Torre com água verde, o Glacial Grande ao fundo, os icebergs que descolaram do gelo do glacial e que chegam até a beira da laguna, os picos da montanha Torre, indescritível.

Sentamos a beira da laguna, almoçamos, ficamos um tempo brincando com o gelo, tirando fotos, caminhando pelo lugar, contemplando aquele visual único. Foram 5 horas de caminhada até ali, e depois de umas 2 horas curtindo o lugar, era hora de voltar. A descida foi mais fácil e levou cerca de 3 horas.

A experiência foi única e incrível.

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Laguna Torre

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Pequenos icebergs provenientes do Glacial Grande, que desemboca na laguna

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Se divertindo com o gelo de centenas de anos do glaciar

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Hora de voltar

Quando fomos buscar nosso carro no estacionamento, encontramos um bilhetinho muito simpático perguntando sobre o nosso depósito de água do carro. Tivemos a oportunidade de conhecer a história de Llevados por el Viento, um casal, ele argentino e ela brasileira, que vivem viajando com um fusca e seu trailer. Não nos conhecemos pessoalmente, mas o mundo digital faz maravilhas, e pudemos trocar muitas informações e nos conhecer um pouco por internet. Para quem quiser conhecer um pouco a história deles, deixamos o link aqui.

Voltamos para o camping de El Chaltén, e para comemorar o feito dos últimos dois dias fomos jantar na La Cerveceria, uma cervejaria artesanal, que tem um Bier Garden e um cerveja muito boa. É possível fazer visitação na cervejaria e conhecer o processo de fabricação e quem vai tomar cerveja por lá, ganha pipoca para acompanhar. Outros lugares que comemos na cidade e podemos indicar é as maravilhosas empanadas do Che Empanada, uma lojinha pequena na rua principal da cidade, com as melhores empanadas que comemos na Argentina, e com preço bem razoável, e o Mitos, onde comemos uma pizza maravilhosa, o bar é muito aconchegante, pertinho do Che Empanada.

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