Santiago

By 5 de junho de 2016Chile

Nossa experiência em Santiago foi um pouco diferente das demais cidades que percorremos em nossa viagem de carro pela América do Sul, isto porque em Santiago deixamos de ser dois e passamos a ser quatro viajantes. Recebemos nossas primeiras visitas viajantes do projeto. Os pais do Luis programaram suas férias para passar uns dias com a gente.

Por sermos quatro pessoas, resolvemos alugar um apartamento para a semana que passamos na cidade, foi nossa primeira experiência no Arbnb. Logo de cara conhecemos o transito da cidade, intenso e estressante, pode-se perder muito tempo se você escolher ir ao mercado ou shopping na hora de pico, vivemos isso na pele algumas vezes.Santiago é uma capital com mais de 5 milhões de habitantes, com muitas atrações para conhecer e muita coisa para fazer, já que é a maior cidade chilena, polo industrial, financeiro e cultural.

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Ciclovia e riacho da Av. Bernardo O’Higgins, conhecida pelos santiaguinos como La Alameda

Assim que os pais do Luis chegaram, fomos fazer de cara o free tour da cidade que começa na praça de armas, com opções de dois horários: as 10:00h ou as 14:00h. Dura em média 3 horas de caminhada e o pagamento é na base da gorjeta. O free tour é sempre uma boa opção, pois além de dar um panorama dos principais pontos da cidade, se pode eleger os lugares de mais interesse para voltar nos próximos dias. Para quem está com um orçamento maior e não se anima em caminhar, existem os tour de ônibus, mas pessoalmente não somos muito fãs dessa modalidade, acreditamos que se perde muitos detalhes de arquitetura, cotidiano e das pessoas. Tivemos cinco dias de passeios na cidade com os pais do Luis, foi possível fazer tudo o que almejávamos, mas indicamos uma semana para quem quiser conhecer Santiago com calma e viver um pouco da cidade. Abaixo segue os lugares que visitamos e como foi cada experiência.

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Vista da torre do relógio do Museu Histórico Nacional

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Vista da janela da torre do Museu Histórico Nacional

A praça de armas é o coração da cidade, além da própria praça, aos arredores se encontra a catedral, a oficina de informações turísticas, o Museu de Arte Precolombino, o Museu Histórico Nacional (esse vale fazer o passeio guiado para subir até a torre do relógio, a vista da praça é incrível, e a história da sua construção também) e ao lado o prédio do Correio Nacional que é muito bonito. Caminhando um pouco mais de duas quadras também se encontram o prédio do antigo congresso e a Casa de la Moneda, que é a casa do governo chileno. Tudo isso fica no centro e é fácil de fazer a pé.

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Item do Museu Histórico Nacional

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Maquete do princípio da cidade de Santiago no Museu Histórico Nacional

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Interior da Catedral de Santiago

No Free tour passamos pelo bairro Lastarria, que possui ruas pequenas, casas encantadoras, restaurantes e cafés lindos, em que em um deles, na rua mesmo havia uma banda tocando um blues maravilhoso, com saxofones, e violões selo. Aos finais de semana existe uma feira de rua com muitos artesanatos diferentes, como quadros, livros, ilustrações, além dos artesanatos tradicionais de souvenir. Fica entre o Casa de la Moneda e o Cerro Santa Lucia.

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Prédio do antigo congresso

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Bolsa de Comércio na rua Nueva York

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Arquitetura do bairro Lastarria

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O mercado central foi um lugar que nos encantou, é possível ver vários tipos de peixes e mariscos, estando hospedado onde seja possível cozinhar vale muito a pena comprar alguns frutos do mar para preparar. Se não tiver como, ao menos comer em algum dos restaurantes de lá, não é a escolha mais econômica, mas com uma pesquisa de preços se consegue algum prato típico que caiba no bolso. Nossa dica para quem gosta de mariscos é provar o loco, marisco tradicional do Chile, que não é muito barato e está mais para uma entrada, ou então uma paila marina que vem com vários tipos de mariscos, ou ainda um pastel de jaiba, esse último é tipo um escondidinho de siri. Esses dois últimos são pratos completos e a preços mais econômicos.

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Faxada do Mercado Central de Santiago

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Pescados do mercado

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Paila marina que almoçamos no dia da visita ao mercado

Para ter uma bela vista do alto da cidade vale subir os 63 andares do Costanera Sky, a torre mais alta da América do Sul e que fica junto ao shopping Costanera Center, mas não precisa subir de escada não, o elevador não só é enorme, como é de alta velocidade, se sobem os 63 andares em um minuto. O ingresso para subir é de 5000 pesos chilenos e se pode ficar no mirador o tempo que quiser. Nós fomos um pouco antes do pôr do sol e acompanhamos o dia virar noite e o acender das luzes da cidade. Além de ter internet wiffi free para já ir postando as suas fotos, o mirador de 360 graus tem indicações do que se pode enxergar de cada ponto. É possível ver os dois cerros, o estádio, a cordilheira que fica bem pertinho da cidade e vários outros pontos da cidade. Também é possível usar os binóculos disponíveis de graça para observar a cidade bem mais de pertinho.

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A imponente torre do Sky Costanera

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Vista diurna da cidade de Santiago

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Por do sol de Santiago visto do mirador do Sky Costanera

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Vista noturna de Santiago

Nós ficamos hospedados no bairro Bellavista, bairro boêmio da capital chilena, e pudemos aproveitar bastante os bares da região para tomar uma cerveja, e também os drinks tradicionais do Chile, o Pisco Sour, Piscola e o Terremoto. As ruas principais do bairro são Pio Nono e Costituición, o primeiro com barres mais simples e mais baratos, o segundo mais chique e mais caros, e entre as duas ruas está o Pátio Bellavista, lindíssimo, mas um pouco caro, de qualquer maneira a visita é muito legal e de graça.

Também é no Bellavista que está uma das 3 casas do poeta Pablo Neruda, a La Chascona, uma casa que vislumbra a forma de um barco. O ingresso não é exatamente barato, custam 6.000 pesos chilenos por pessoa, cerca de R$35,00, mas para quem gosta do artista vale muito a pena. A visita é guiada por áudio guide, então se pode levar o tempo que quiser, fazer o passeio com calma e apreciar todos os detalhes, pois a casa tenta retratar fielmente a vida de Pablo Neruda. Quem coordenou a reconstrução e reorganização da casa para ficar tal qual era foi a ultima mulher do escritor. O acervo conta com muitos itens pessoais do mesmo. É a casa onde ele morou até a sua morte e tem uma história forte com o início da ditadura chilena, é uma pena não poder fotografar o interior da residência.

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Uma cerveja no Patio Bellavista, só uma, a segunda vai falir a sua viagem

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Topo da casa de Pablo Neruda, La Chascona

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Minha mãe e a Lê na escada do pátio da La Chascona

Santiago tem 2 morros, Cerro Santa Lucia no centro, com valor histórico fundamental na história do país, era um antigo forte, com um jardim projetado de tirar o folego, a subida até o ponto mais alto também é de tirar o folego, mas a vista compensa, esse passeio é de graça e não apenas para turistas, santiaguinos vão a este morro para relaxar, passear e tomar um sol. Se pode caminhar pelo antigo forte, os pórticos, as capelas e por quase todo o jardim que em sua época áurea proviam festas da alta sociedade, e que deveriam ser incríveis.

O outro Morro fica no bairro Bellavista e se chama Cerro San Cristoban, a subida é com um funicular, aqueles trenzinhos verticais que nos salvam em qualquer ladeira, e não é muito caro, mas pode-se subir a pé, ou de bike. Junto dele fica o Zoológico Nacional do Chile, um dos mais importantes da América do Sul, tem urso polar, pantera negra e tigre branco. Possui também a estátua de La Virgem, no topo, com 36mts de altura e que a noite, iluminada, pode ser vista de alguns pontos da cidade. Dizem ser o pôr do sol mais bonito de Santiago.

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Vista panorâmica do Cerro Santa Lucia

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Fortificação do Cerro Santa Lucia

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Artefatos do forte do Cerro Santa Lucia

Chile e vinho são uma ligação direta, então uma visita a uma vinícola é quase obrigatório, as duas principais são a famosa Concha y Toro e a Undurraga. Nós visitamos a Concha y Toro, o passeio dura 1 hora, é bastante comercial e custa 12.000 pesos chilenos por pessoa (R$70). A vinícola é afastada da cidade, mas tem como chegar de transporte público. Ganhamos uma taça da vinícola, e o passeio contempla a degustação de três vinho (meia taça de cada tipo de vinho), se conhece a antiga casa dos fundadores somente por fora, passamos pela parreira mais antiga da vinícola e fomos a uma das plantações com quatro espécies de uvas, que pudemos provar direto do pé. Conhecemos também as pipas e a famosa história e adega do Casillero del Diablo, que é o vinho mais conhecido e famoso da casa, porém não é o melhor e muito menos o mais caro. Por fim a visita termina na loja da vinícola, onde se podem comprar todos os vinhos produzidos pela Cocha y Toro, e vários souvenires. Os preços de lá são um pouquinho mais em conta que nos mercados e casas de vinhos. Pode-se fazer uma visitação com degustações de vinhos e queijos que aí sim, se degustam os melhores vinhos e para os entendidos deve ser uma experiência mais completa e bem menos comercial, visto que o valor é bem mais alto.

A Undurraga, é um pouco menos comercial, o passeio tradicional dura um pouco mais de 1h e custa 10,000 pesos chilenos (R$60). Também se ganha uma taça da casa e degustação de três vinhos, e existe a opção de passeio com degustação de queijos e vinhos finos.

Estes valores são dos ingressos direto nas vinícolas, como estávamos de carro fomos por conta, com agências de turismo o valor pode ser o dobro, pois as vinícolas não são centrais, são em localidades afastadas da cidade. Ainda assim, apesar de um pouco complicado, se pode chegar em ambas de transporte público.

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Visita a famosa vinícola Concha y Toro

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Vinhas da Concha y Toro

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Um cacho a menos para virar vinho

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Adega da nossa casa…quem me dera

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Famosa adega da lenda do Casillero del Diablo

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A parte boa, beber o vinho!

Um bairro que adoramos foi Paris-Londres, com ruas estreitas e de pedras, possui um ar completamente diferente do resto da cidade, um ar de uma pequena cidade européia. Pequeno e com alguns bares e restaurantes abertos até a noite, é um bom lugar para se hospedar. No bairro também existe um museu sobre a época da ditadura, o Londres 38, localizado na rua Londres e no número 38, essa casa foi usada pelos militares para tortura, com um clima pesado, é uma importante visita para conhecer esse passado escuro da história do país. Para quem espera ver peças de museu, não vai encontrar, a casa é basicamente vazia e conservada tal qual era, com alguns depoimentos em vídeos, fotos, e cartazes da época. A entrada é gratuita, mas é para quem tem estômago forte.

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Cajon Del Maipo foi uma dica dos nossos amigos Gabi e Lucas que tem o belíssimo projeto Mundo a Volta. O lugar é um pouco mais distante e por isso muitos acabam não indo ou nem sabendo que existe. Dá para chegar lá de carro, ou com tour por 40.000 pesos. Se você quiser ir de carro como fomos, é importante saber que a maior parte do caminho é pavimentado, porém os últimos quilômetros o caminho é de terra e bem ruim, com pedras e buracos, e próximo ao Embase del Yeso a estrada fica bastante estreita, com muitos pontos onde passam apenas um carro, e possui um forte trafego de caminhões, então se você for de carro, é tranquilo, mas vá com calma. O caminho não é muito sinalizado, mas com um mapa e perguntando você chega lá.

Cajon del Maipo é um cânion andino, pertinho do vulcão Tupungato onde está o Embalse del Yeso, uma grande reserva de água potável que abastece a cidade de Santiago, além de algumas termas, entre elas as Termas Valle da Colina, Morales e as Termas del Plomo. O lugar é impressionante. Nós fizemos um passeio de um dia, mas quem tiver tempo, pode acampar nas termas, ou no pequeno povoado San José del Maipo e fazer os trekkings da região, além de cavalgadas e esportes radicais aquáticos.

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As águas azuis e cristalinas do Embase de Yeso com a cordilheira nevada ao fundo, belíssimo

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Família reunida no Embase de Yeso

Outro lugar que vale muito a pena visitar é o Valle Nevado, contando que ele esteja com neve. No período que passamos em Santiago, o Valle Nevado não estava nevado, pelo fato de ter sido o verão mais quente dos últimos anos, e também porque nos verões a estação de esqui fecha, então, como não tinha neve, decidimos não ir, porém se você for em um período mais frio, vale a visita na estação de esqui, que é bem famosa. Pode-se ir de carro, ou também contratar tours das agências. O local tem restaurantes, hotéis, e uma boa estrutura para receber os turistas.

Um dica importante para fechar o post é sobre câmbio. Na cidade vai encontrar casas de câmbio em muitos lugares, mas sem dúvida o melhor lugar para ir é a Calle Agustinas, com uma concentração muito grande de casas de câmbio fica fácil de fazer a pesquisa pela melhor cotação. A rua fica localizada bem no centro, perto da praça de armas, bem fácil de ir.

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Join the discussion One Comment

  • Miriam Kolinger disse:

    Não preciso nem dizer que amei!!
    Foi um experiência incrível, maravilhosa ter participado um pouquinho da viagem e aventura de vocês. Falamos tanto que a tia Marta e o tio Estevão estão lá neste momento.
    Fiquei muito emocionada , feliz ao ver foto minha com a Lê e uma de todos nós, obrigada pela oportunidade de viver esses momentos com vocês.
    Beijos de quem os ama infinitamente.

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