Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo

By 16 de junho de 2016Argentina

Bom, temos muito do que falar da cidade de Ushuaia, a cidade que é considerada pelos argentinos o fim do mundo, tem uma discussão sobre o assunto com o Chile, pois Puerto Willians geograficamente fica mais ao sul que Ushuaia, mas é tão pequeno que os argentinos não a consideram uma cidade e sim povoado. Bom, não vamos entrar no mérito, e para nós o Ushuaia é a cidade pagável mais ao sul do mundo, visto que Puerto Willians se chega apenas de avião ou barco, e é extremamente caro.

Mas vamos começar chegando na cidade. Você sabe que está chegando na cidade pela paisagem da estrada, a vegetação muda, o cerrado dá lugar a curvas, morros, bosques verdes e diversos lagos bastante azuis, pouco antes de chagar há uma cidade chamada Tolhuin, toda ajeitadinha, onde resolvemos parar pois nos haviam indicado a confeitaria La Union, “a melhor confeitaria da Argentina”. não fomos a todas as confeitarias do país, mas fez jus a fama. De fato a confeitaria tinham doces maravilhosos e preços bem justos. Seguimos pela estrada até Ushuaia, no caminho existem alguns miradores, pois passamos por lagunas e paisagens inacreditáveis.

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Chegada a Ushuaia

Não espere do Ushuaia uma cidade com casinhas colônias, ou uma cidade arquitetonicamente projetada. A cidade possui duas ruas principais, e salvo algumas construções mais coloniais, a arquitetura é bem tradicional.

Ao sul da cidade está o estreito de Beagle e junto a ele uma reserva ambiental, o Parque Nacional Tierra del Fuego. Reservamos três dias para conhecer a cidade e dois para conhecer o parque nacional. Assim que chegamos na cidade fomos buscar hospedagem, pois estávamos em contato com uma pessoa que iria nos hospedar, porém ela não havia retornado nossas últimas mensagens e chegamos sem ter onde ficar. Fomos em fevereiro, e a cidade está cheia neste período, vários hosteis e hospedagens já estavam lotados e os camping disponíveis são no parque nacional, então camping não era uma opção, porém conseguimos um hostel perto da região central da cidade. Depois de hospedados fomos conhecer a cidade que tem várias atrações e opções de passeios.

Mirador Passo Garibaldi:

Este mirador está na Ruta 3, próximo a entrada da cidade, paramos na nossa chegada pois o visual é incrível, e estávamos deslumbrados com a estrada. Dele é possível ver os Lagos Escondido e Fagnano.

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Lago Escondido e Fagnano ao fundo

Rua San Martin:

É a rua principal da cidade, nela se pode encontrar  casas de câmbio, alguns hotéis, lojas de roupas quentinhas, confeitarias, agências de viagens, e vários restaurantes e bares. É bem charmosa e movimentada. Nos caminhamos por ela durante o dia e a noite, quando tem um charme bem diferente.

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Bela Calle San Martin a noite

Glacial Martial:

Nós fomos no segundo dia para o glacial Martial, que é relativamente próximo a cidade, porém ir a pé é uma caminhada íngreme e longa e não tem ônibus para lá. Nós fomos de carro, mas pode-se ir com taxi ou tours. Chegando lá, há um estacionamento, alguns cafés e uma guarita com informações. Como fomos no verão, o teleférico para subir fica desativado, pois não há neve na primeira parte de subida. A entrada é gratuita. As trilhas são bem sinalizadas, e a subida é relativamente fácil, subimos até um dos pontos mais altos, onde acaba a trilha, em pouco mais de uma hora. É possível subir bem mais, porém para continuar e ver o outro lado da montanha, somente é possível com agência de turismo e grupos especializados que fazem o tour que contempla trekking e escalada, porém no verão não há esse tour em função da pouca neve. Neste passeio que fizemos não necessita de tour ou guia, e nem de grampões (equipamento para caminhada em gelo), pois a trilha não tem neve, a quando chegamos na neve a trilha termina. Na descida optamos por ir pela trilha do bosque, um caminho paralelo ao da subida, e que passa entremeio a um bosque bastante verde e denso. E depois de algumas horas de caminhada tomamos um chocolate quente ao pé do Glaciar para se esquentar.

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Subida ao Glacial Martial

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Lê curtindo a neve e gelo

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A alegria de chegar ao final da trilha

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Glacial ao topo da montanha

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Cidade de Ushuaia ao fundo

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O belo caminho do bosque

Orla Bahia Ushuaia

A orla da cidade é a segunda rua mais movimentada, nela se encontram vários restaurantes,  hotéis, e algumas lojas. Aqui também está o porto, de onde saem os cruzeiros rumo a Antártida, o museu do Fim do Mundo, que optamos por não entrar, a famosa placa “Ushuaia Fin del Mundo”, onde todos os turistas tiram fotos, e nós também, e o Barco Saint Christopher. Este barco de origem americana, foi utilizado na segunda guerra mundial na invasão a Normandia, o famoso dia D. Depois dos seus anos de glória, foi parar em uma empresa argentina de reboques de barcos, foi reformado, porém  com o tempo teve sua estrutura danificada, sendo deixado de lado na Bahia de Ushuaia. Em 2010 começaram obras de restauração do barco, que hoje faz parte do visual da cidade. Nos percorremos quase toda a orla a pé.

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Bandeiras da Argentina e da Tierra del Fuego

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Barco Saint Christopher

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Museu Marítimo e Presídio

Conhecer este museu, significa conhecer o início da cidade de Ushuaia. A cidade começou de fato com a construção do presídio central, pela sua localização. O presídio foi construído pelos próprios detentos e pelo exército, e em 1920 abriu as portas oficialmente. Era um presídio de segurança relativamente baixa para detentos de alta periculosidade, mesmo assim, há registro de somente uma fuga bem sucedida. A região é tão fria e inóspita que os detentos que fugiam, voltavam buscando comida e agasalho. É possível visitar quatro das cinco alas do presídio, uma das alas está a reconstrução de como era na época e conta a história de alguns dos presos mais conhecidos, outra ala está exatamente como o presídio foi encontrado, e não possui calefação, esta ala é especialmente gelada e com uma atmosfera bastante pesada, as outras duas alas são uma galeria de arte e uma loja de souvenir. As visitas guiadas acontecem em 2 horários diários, a entrada custa 150 pesos argentinos e é válida por 48hrs, então se pode voltar no dia seguinte. É possível também fazer uma visita teatralizada ao museu, somente disponíveis as segundas, quartas e sextas, as 20:00 horas, e somente para maiores de 15 anos. Nesta visita, você ganha um uniforme de presidiário e conhece o museu sobre um perspectiva bem diferente, custa 180 pesos argentinos.

Junto está o museu marítimo, que conta com réplicas de várias embarcações e conta a história da chegada de Beagle, Fitz Roy e várias pessoas importante a Tierra del Fuego, inclusive Darwin que foi estudar a vida marinha por lá. Nós visitamos o museu somente em um dia. A visita guiada é bem completa e está incluída na entrada.

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Ala do presídio mantida como encontrada depois do seu abandono

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Museu Marítimo, representação de 3 exploradores que viveram em um antigo farol no sul da Tierra del Fuego, e ao fundo pedaços de madeira que pertenciam ao farol

Galeria temática

A galeria temática fica na rua San Martin, próximo ao presídio, acompanha áudio guia e custou 140 pesos argentinos. No passeio é possível ver de forma mais reconstruída toda a história da cidade, desde a cultura dos antigos índios, moradores da região desde a pré história e sua cultura, bem como a chegada de Darwin, Fitz Roy e outros na cidade, além de vários outros momentos históricos e importantes para a região. Foi uma experiência bem diferente e nos surpreendeu positivamente.

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Recriação dos Yamanas, primeiros habitantes da Tierra del Fuego

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Canoa Yamana e explicação de seus métodos de pesca e colheita de moluscos

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Explorador Fitz Roy e alguns fuoguinos que foram levados a Inglaterra

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O principal trabalho dos presos do presidio de Ushuaia era o corte de madeira da região, na qual era usada para construção, e bem importante, para calefação

Bares e Restaurantes

Existem opções para todos os gostos na cidade, desde cordeiro patagônico assado inteiro em fogo de chão, empanadas, e a famosa centolla inteira, o caranguejo gigante. A centolla é um prato bastante turístico, e muitos procuram os restaurante pela experiência de comer um animal tão grande como este. Nós ganhamos de presente de casamento e comemos o caranguejo gigante em um dos restaurantes da San Martin, mas se encontram em vários lugares da cidade. Você escolhe o caranguejo em um aquário e ele vem cozido inteiro para a mesa, junto com uma tesoura e um avental. De fato é um experiência única, não é muito fácil comer o bichinho, e não é uma experiência barata, uma janta desta sai bem caro e o preço é por peso, em médio 300 pesos por quilo, o nosso caranguejo era pequeno e pesava 1,5Kg. A cidade também está cheia de bares, a nossa indicação é o Bar Ideal, um bar irlandês, que fica em uma das casas de madeira antigas da Calle San Martin, esse é o bar mais antigo de Ushuaia, e cheio de bilhetes de viajantes na parede, desafio a encontrarem o nosso. Lá encontramos o Cesar, um morador da cidade que viveu sua vida toda em Ushuaia, seu pai foi um dos carcereiros do presídio, e tivemos o prazer de ouvir grandes histórias da cidade por uma pessoa que as vivenciou, indescritível.

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Nosso encontro com Cesar no Bar Ideal

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Cadeira original da barbearia que funcionava na casa antes de se tornar o Bar Ideal

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Pronto para comer a centolla

Parque Terra Del Fuego

O Parque Nacional Tierra del Fuego fica bem ao sul da cidade, as margens do estreito de Beagle,  Bahia Lapataia e faz fronteira com o Chile. A entrada do parque custa 100 pesos argentinos e a da direito a três dias e duas noites no parque, podendo passar todo o tempo dentro, ou ir e voltar nesse período. Para chegar, pode-se ir de carro, como nós fomos, de ônibus, ou com o trem do fim do mundo, em estilo Maria fumaça, leva os turistas até o parque e faz o passeio interno. O parque tem diversas trilhas, um prato cheio para os amantes de trakking. Dentro do parque existem restaurantes, cafés, um camping pago e com estrutura e campings rústicos gratuitos, esses possuem apenas banheiro químico, mas os melhores banheiros químicos que já vimos. Obviamente só é permitido acampar nas áreas indicadas. Nós chegamos no início da tarde no parque e percorremos ele de carro, para reconhecer a área. Fomos até a Bahia Lapatia, e fizemos as trilhas dessa região. As trilhas que fizemos no primeiro dia são pequenas e nela pudemos observar bosques, uma represa de castores abandonada e as paisagens lindas da costa da Bahia. Nesta noite o plano era acampar, porém fazia frio e ventava bastante, optamos por dormir no carro.

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Mapa do Parque Nacional Tierra del Fuego

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Bahia Lapataia

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E chegamos ao final da Ruta 3, quem dera irmos até o Alaska

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Coelho livre na natureza

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Caminhada no meio da natureza

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Barragem de castores

No dia seguinte acordamos tarde, pois como o tempo estava bastante feio pela manhã, com chuva e bastante frio, aproveitamos para dormir um pouco mais. Quando o tempo melhorou, fomos até um dos cafés do parque, e lá conhecemos dois brasileiros que nos indicaram a trilha Hito XXIV, uma trilha que chega até a divisa da Argentina com o Chile. Resolvemos fazer esta trilha, que leva cerca de 3 horas. A trilha é fácil e quase toda plana, na maior parte com vegetação bem fechada, mas que costeia o lago Roca, então horas se está na beira do lago, horas se está em meio aos bosques. Chegamos ao fim da trilha, na divisa com o Chile, que somente é sinalizado por uma placa, não existem cercas nem muros. Entramos ilegalmente no Chile por alguns minutos, hehehe, logo voltamos, afinal queríamos o carimbo no passaporte da entrada do país, sabe como é.

Vale a pena ficar mais dias no parque, o lugar é lindo, as trilhas são bem sinalizadas, gostaríamos de ter feito mais algumas, Neste parque nacional não se indica beber a água dos arroios, então leve a água que for consumir, lá dentro é caro.

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Parada na trilha HITO XXIV para admirar a vista da Bahia Lapataia

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Trilha até a fronteira com o Chile

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Placa que sinaliza o limite Argentina / Chile

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Bahia Lapataia

 

Playa Larga:

Considerada reserva natural e cultural, a Playa Larga fica a pouco mais de 3 km da cidade e as margens do estreito de Beagle. É bem popular para os que fazem trekking, pois se pode ir caminhando, porém, há estradas e nós fomos de carro. O visual é muito bonito, e se pode  encontrar, mar, montanha, neve e cidade em uma mesma paisagem. A vista da baia com a cidade ao fundo é um cartão postal.

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Vista da cidade de Ushuaia com as montanhas nevadas ao fundo

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Laguna Esmeralda:

Esse foi a nossa última parada da cidade, por estar na Ruta 3 aproveitamos para ir no dia que iriamos embora, fazendo uma parada nesse lugar incrível.

Ela fica bem afastada, o início da trilha que leva até a laguna fica na Ruta 3, e  para chegar somente de carro ou tour. Existem duas entradas para a Laguna, uma pela rodovia, que é gratuita, e outra pelo Valle de Lobos, uma fazenda de criação de cães da raça Huskies siberianos e que também dá acesso a uma trilha até a Laguna. Pela Valle de Lobos é preciso pagar 50 pesos argentinos, eles possuem uma estrutura de banheiros e restaurantes e indo pelo seu acesso se ganha uma bebida quente no retorno. se a opção for pelo Valle de Lobos se atente a hora, eles fecham a partir do meio da tarde. Nós fomos pelo acesso gratuíto. São 4 horas de trilha para ir e voltar, mas calcule 5 horas, acredite na gente, você vai querer passar um tempo só admirando o lugar!

A trilha é bem sinalizada, muito bonita e na maioria do seu trajeto plana. Não é recomendado fazer a trilha a noite, e encontramos bastante pessoas no caminho. Chegando lá, ficamos surpreendidos pela cor da água, um verde que faz jus ao seu nome.

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Laguna Esmeralda

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A cidade possui muitos tour pelas agências de turismos que se encontram na cidade que contemplam diversos passeios, as opções são diversas, vale a pena pesquisar. Existem alguns passeios que não fizemos por algum motivo, mas que vale a pena buscar como, trekking pelo glacial Vinciguerra que leva um dia inteiro, ou o passeio de barco pelo estreito de Beagle até a ilha dos pinguins, que também leva um dia, se tiver sorte pode ver alguns pinguins reis, que são enormes. Então reserve uma semana na cidade se você quiser fazer todos os passeios que essa cidade tão diversa oferece.

 

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Join the discussion One Comment

  • Miriam Kolinger disse:

    Adorei ler, deu vontade de voltar, saudades de uma viagem inesquecível. Foi dos lugares mais lindos que já conheci. Quem sabe um dia voltaremos todos juntos, não em janeiro ou fevereiro, pois gostaria muito de andar de trenó puxado por husky siberiano. Beijos

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