Vida viajeira e vaidade combinam?

By 4 de junho de 2016Vida de viajante

Muita coisa mudou!

 

Quando se está viajando a baixo custo e por um período maior, nós mudamos a percepção de algumas coisas e passamos a dar valor para coisas um pouquinho diferentes. A mudança ela não vem de um dia para o outro, ela é gradual, dia após dia você vai percebendo que manter certos costumes e manias são complicados e algumas vezes insustentáveis.

A primeira coisa que eu sabia que iria se passar e que eu já estava bem preparada eram as mãos. Unhas longas e feitas impecavelmente é um luxo que eu só me dei na época da faculdade, quando tinha tempo e paciência para pensar nisso, mas neste estilo de vida “on the road”, é impossível ter unhas um pouco compridas, chega a ser nojento e um pouco perigoso. Depois as sapatilhas bonitinhas e as botinhas vão dando lugar aos tênis de trekking, as havaianas (habemus havaianas) e as alpargatas, as roupas ficam bem repetitivas, os acessórios diminuem até se restringirem a um brinco pequeno, anéis confortáveis e um colar “da sorte” que você usa todos os dias, até o momento que você quase não usa mais maquiagem.

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Bom, se deparar com seu rosto sem maquiagem, com sardinhas, algumas ruguinhas tímidas e marcas de expressão, talvez nas primeiras vezes fazem repensar no estilo de vida viageiro que optamos, mas conforme vão passando os dias e você vai conhecendo pessoas incríveis, lugares indescritíveis e passando por experiências tão enriquecedoras e superadoras, passamos a perceber que este rosto que eu vejo agora, é uma face tão melhor, tão real, tão mais limpa, tão mais viva e cheia de significado, cada marca de expressão é por uma risada, cada sarda é por um dia lindo de sol, cada bolha no pé é por uma trilha que me fez caminhar por horas para chegar em um lugar incrível que quase ninguém chegou, mas que cheguei, eu estava lá, e eu vi.

Eu não perdi a vaidade, tenho meus vestidinhos fofos, minhas maquiagem, cremes, muitos brincos, colares, e uso eles. Apenas lembro com pena de mim mesma que me cobrava certos comportamentos padrões e de quando acordava com muita renite alérgica e usava base, pó, rímel, imaginem, em prol de uma boa imagem (claro que aquilo tudo escorria ao longo do dia, e ficava um caos, mais alergia, mais espirros). Neste momento, que estou em uma casa na praia de Punta Hermosa, ao sul de Lima no Peru, escrevendo em uma sala de frente para o mar, estou bem arrumada, com uma camisa floral que combina com o jeans, e que recebe um acento perfeito com o casaco chumbo que me afina a silhueta. Eu estudei e trabalhei com moda a vida toda, e sim, neste mercado a aparecia é importante, e que eu tenho uma vaidade com referências simples e um pouco atemporais, o que diz muito sobre a minha pessoa. Gosto de dizer que curto uma roupa de vó, adoro um camisa com laço, ou algum frufru, um blazer, um jeans azul bem tradicional e uma sapatilha de bico fino sem salto.

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Mas percebi que existem situações que a simplicidade de uma cara lavada, um calça larga e uma camiseta dizem muito mais para a gente o que de fato importa naquele momento. Nunca, repito, nunca consegui entender como passar frio em troca de um look suuuuper cool é melhor do que estar quente. Se eu saio de casa com frio, fico mal humorada, e só consigo pensar em voltar para colocar um meião e tomar um chá quente. O fato é que a vaidade deve ser leve, adicional, orgânica, e não uma obrigação. É algo que a gente faz para a gente e não por obrigação para os outros. É preciso perceber a beleza da cara lavada, dos limites do conforto e bem estar do corpo, das marcas de história que a vida vai dando para a gente.

Saindo do oásis de Huacachina, na vinda para Lima, me percebi olhando meu reflexo no espelho, completamente sem maquiagem, e tenho que dizer que eu fiquei muito feliz com a beleza que eu vi no meu rosto, tenho 30 anos, mas naquele momento eu parecia uma menina, com os cílios clarinhos e espaçados, as sardas todas aparentes, os olhos como duas bolitas marrons, sem contornos, e a boca, cor de boca, meio tortinha como ela é.

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A liberdade do mundo e a vaidade da real beleza

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Join the discussion One Comment

  • Miriam Kolinger disse:

    Adorei tuas colocações, dizem muito de ti sim. Você, ou melhor , vocês dois estão mais lindos do que nunca, elegantes, estão transbordando alegria, cumplicidade, felicidade, superação, veradade, parceria, VIDA!!
    A cada palavra, cada texto, a cada foto além de transmitirem tudo isso, dispertam uma vontade enorme nas pessoas de viajarem, aventurarem, se conhecerem e reconhecerem, se reinventar….. beijos

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